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Flávio compartilha postagem de Rubio e volta a culpar Lula por tarifaço

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Flávio compartilha postagem de Rubio e volta a culpar Lula por tarifaço

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, voltou a responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela decisão dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Em publicações nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a política externa do governo federal levou ao agravamento da relação comercial entre os dois países e intensificou as críticas ao chefe do Executivo.

A manifestação ocorreu , que entrará em vigor em 22 de julho. A medida é resultado de uma investigação comercial conduzida ao longo de um ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo dos EUA para apurar supostas práticas comerciais consideradas desleais.

Além de estabelecer uma sobretaxa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, a decisão também prevê uma , preservando alguns setores considerados estratégicos.

Flávio atribui responsabilidade a Lula

Após a divulgação da decisão do governo estadunidense, Flávio Bolsonaro publicou mensagens nas redes sociais afirmando que o presidente Lula seria o responsável pelo agravamento da crise comercial com os Estados Unidos.

“Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto. O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação”, afirmou o senador.

Na sequência, o parlamentar ampliou as críticas ao presidente.

“Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega! O Brasil tem futuro, mas não tem mais tempo a perder!”.

Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (16), entretanto, aponta que .

Secretário de Estado dos EUA também critica governo brasileiro

As manifestações de Flávio ocorreram em resposta a uma publicação feita pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Na mensagem, Rubio afirmou que as políticas adotadas pelo governo brasileiro prejudicam tanto os interesses estadunidenses quanto os brasileiros .

“No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso”, escreveu Rubio.

O secretário de Estado mantém relação política próxima da família Bolsonaro desde 2018. No mês passado, ele recebeu nos Estados Unidos os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), fortalecendo a interlocução entre os grupos.

As declarações alimentaram interpretações de integrantes do governo brasileiro de que a decisão dos EUA também possui motivação política.

USTR nega motivação política para tarifa

Apesar das manifestações de Rubio, a versão oficial apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos é diferente.

Durante entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR afirmou que a investigação comercial não foi motivada por divergências políticas com o governo brasileiro, mas pelos procedimentos previstos na legislação comercial estadunidense.

Segundo o órgão, a decisão decorre exclusivamente da conclusão da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Viagem aos EUA incluiu debate sobre facções brasileiras

Durante sua passagem pelos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro também discutiu com autoridades locais outro tema relacionado à segurança pública.

Segundo o senador, uma das pautas apresentadas a Marco Rubio foi a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Na ocasião, Flávio afirmou que Rubio era favorável à proposta.

Dois dias depois do encontro, .

Em comunicado oficial, Marco Rubio declarou que “o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”.

Planalto reage e anuncia Lei da Reciprocidade

Após a confirmação das novas tarifas, o governo brasileiro divulgou uma nota oficial repudiando a decisão do governo estadunidense.

O Palácio do Planalto classificou o episódio como um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos e .

Na nota, o governo argumenta que não existem fundamentos para a adoção de medidas unilaterais contra o Brasil.

“Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”.

O governo também destacou que manteve negociações permanentes com as autoridades comerciaisdos EUA durante toda a investigação.

“Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil”.

Governo também defende Pix e política ambiental

No comunicado, o Planalto contestou ainda algumas das críticas feitas pelos Estados Unidos durante a investigação comercial.

Segundo o governo, as acusações envolvendo o sistema Pix, a regulamentação das plataformas digitais e a política ambiental brasileira não encontram respaldo técnico.

A nota afirma que as críticas ao Pix e à regulação das plataformas são “descabidas” e acrescenta que “são absurdas as acusações sobre desmatamento”. Recentemente, aliás, , que tinha aumentado consideravelmente durante o governo Bolsonaro.

Além de anunciar a aplicação da Lei da Reciprocidade, o governo informou que pretende manter negociações diplomáticas e recorrer aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

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