O PT pretende intensificar a ofensiva contra Flávio Bolsonaro após a confirmação da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A estratégia será associar o pré-candidato do PL à medida adotada por Donald Trump e reforçar o apelido “Tariflávio”.

Dirigentes petistas também pretendem usar a expressão “traidor da pátria” para explorar a proximidade política entre a família Bolsonaro e o governo estadunidense. A avaliação é de que o tarifaço deixou de ser apenas uma questão comercial e passou a influenciar diretamente a disputa presidencial.

A ligação do bolsonarismo com Trump ganhou peso depois que Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos e passou a atuar por sanções contra autoridades brasileiras. Flávio, por sua vez, pediu que Washington adiasse uma decisão sobre as tarifas até depois da eleição, sob o argumento de que uma nova cobrança poderia favorecer Lula.

O PT também acompanha o aumento da rejeição ao senador. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, o percentual de eleitores que conhecem Flávio e não votariam nele passou de 52% em abril para 57% em julho. No mesmo período, a rejeição a Lula caiu de 55% para 50%.

Petistas avaliam que o desgaste não decorre apenas do tarifaço. O caso “Dark Horse”, envolvendo a cobrança de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, e os vídeos em que Michelle Bolsonaro acusa o enteado de humilhá-la também serão explorados para questionar sua candidatura.

Lula pretende responder à ofensiva comercial com um discurso de soberania nacional. O Planalto avalia que a defesa do Pix, das empresas brasileiras e da autonomia do país pode reforçar o contraste entre o presidente e um adversário politicamente associado ao governo que impôs as tarifas.