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Zelenski demite ministro da Defesa e enfrenta protestos raros em Ucrânia

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Zelenski demite ministro da Defesa e enfrenta protestos raros em Ucrânia

A demissão do ministro da Defesa da Ucrânia, Mikhailo Fedorov, pelo presidente Volodimir Zelenski provocou protestos raros nesta quinta-feira (16) em Kiev e em outras cidades do país. Fedorov, de 35 anos, era associado à modernização tecnológica das Forças Armadas ucranianas e à expansão do uso de drones contra a Rússia.

Centenas de pessoas foram às ruas para pedir a recondução do ministro ao cargo, enquanto mais de mil manifestantes se reuniram em frente ao gabinete presidencial aos gritos de “Vergonha!”. O protesto também teve cartazes com frases como “Por quê?” e “Os russos estão comemorando”.

A crise no governo ocorreu no mesmo dia em que o Parlamento ucraniano elegeu o executivo do setor de energia Serguei Koretski como novo primeiro-ministro. Parlamentares disseram que o atual ministro do Interior, Ihor Klimenko, pode substituir Fedorov, mas Zelenski afirmou que ainda avalia nomes e que Klimenko é apenas uma das opções em discussão.

Fedorov disse a jornalistas em Kiev que recusou uma oferta de Zelenski para atuar como assessor. Ele também atacou o chefe militar Oleksandr Sirskii, a quem acusou de bloquear iniciativas do ministério e de evitar enfrentar problemas diretamente: “Em vez de descobrir como derrotar a Rússia… ele descobriu como dividir o país”.

Ukrainians are still streaming to the protest outside President Zelenskyy’s office in central Kyiv, demanding that @FedorovMykhailo be reappointed defense minister. Easily a few thousand protesters chanting “Fedorov!” and “We’re not suckers!” and the protest classic “Ганьба!” —… pic.twitter.com/5kMU91qMU9

— Christopher Miller (@ChristopherJM) July 16, 2026

Disputa com comando militar amplia crise no governo

Sirskii, de 60 anos, ocupa o comando militar desde o início de 2024 e enfrenta críticas de militares por um estilo considerado rígido, associado por seus críticos a altas perdas de tropas. O Estado-Maior da Ucrânia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters sobre as declarações de Fedorov.

Zelenski disse que não pretende tomar partido na disputa entre o ex-ministro e Sirskii durante a guerra. “O presidente não deve tomar partido nesse tipo de situação durante um tempo de guerra”, afirmou. “Eu gostaria muito de unidade. Os lados não a encontraram.”

A demissão também levou à renúncia de Pavlo Ielizarov, vice-comandante da força aérea ucraniana e nome ligado à guerra de drones. Ele classificou a saída de Fedorov como “um grande mal” para a defesa do país. O Kremlin, por meio de um porta-voz do presidente Vladimir Putin, disse que acompanha a reforma ministerial.

Fedorov havia sido o primeiro ministro de Transformação Digital da Ucrânia e recebeu apoio público de figuras civis e militares antes da votação no Parlamento. Aliados afirmam que ele reduziu burocracia, fortaleceu a estratégia baseada em dados e tentou limpar compras de defesa; críticos cobravam avanços mais rápidos na reforma do recrutamento.

Zelenski anunciou a reforma ministerial no domingo sob o argumento de que o governo e as agências de segurança precisavam de “renovação”. Koretski escreveu no X que a principal tarefa de seu governo será “equipar totalmente” o Exército com diferentes tipos de drones, ampliar o setor de defesa e preparar o país para mais um inverno de ataques russos à rede elétrica.

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