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Vereadora do PL é denunciada pelo MP por mandar petista “voltar para o Ceará”

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Vereadora do PL é denunciada pelo MP por mandar petista “voltar para o Ceará”

O Ministério Público do Paraná denunciou, na quinta-feira (6), a vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) por discriminação ou preconceito de procedência nacional contra a colega Vanda de Assis (PT). A denúncia decorre da fala em que Guzella perguntou por que a parlamentar, nascida em Campos Sales, no Ceará, não “volta para o Ceará”.

O episódio ocorreu durante a sessão ordinária de quarta-feira (5), quando os vereadores discutiam um projeto para criar uma Política de Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua. Vanda usou a tribuna para defender sua posição sobre a proposta, e Guzella pediu a palavra em seguida.

“Se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT. Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui”, disse a vereadora do PL.

Para o MPPR, as declarações tiveram a intenção de ofender, humilhar e menosprezar Vanda e a população cearense. O órgão pediu a condenação da parlamentar e o pagamento de 20 salários mínimos, estimados em R$ 32.420, por danos morais à vereadora petista.

A fala da vereadora Tathiana Guzella (PL) não foi apenas um ataque político. Ao perguntar por que uma parlamentar nordestina “não volta para o Ceará”, ela recorreu a um dos mais antigos discursos xenófobos dirigidos aos nordestinos: a ideia de que eles não pertencem aos espaços… pic.twitter.com/yMUuFnTPUQ

— Beta Bastos (@roberta_bastoss) August 6, 2026

Vanda classificou fala como xenofóbica no plenário

Vanda reagiu ainda durante a sessão e classificou a manifestação como xenofóbica. Leonidas Dias (Podemos), que presidia os trabalhos, interrompeu Guzella e desligou o microfone da vereadora, informando que ela poderia retomar sua manifestação mais tarde.

“Essa prática de dizer: ‘Por que você não volta para a sua cidade? Por que você veio para cá?’ é xenofobia, e xenofobia é crime, vereadora”, afirmou Vanda. Ela declarou ser a primeira vereadora nordestina eleita em Curitiba e disse que atuará para combater esse tipo de discriminação.

A parlamentar do PT relatou que acionou a Polícia Militar ao fim da sessão para registrar o caso, mas afirmou que nenhuma equipe foi até a Câmara Municipal. A corporação não respondeu ao questionamento sobre o relato.

O MPPR também solicitou indenização de 40 salários mínimos, cerca de R$ 64.840, por dano moral coletivo. O valor deve seguir para o Fundo Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, caso a Justiça acolha o pedido.

Na nota divulgada após a denúncia, Guzella afirmou que recebeu a medida “com surpresa”, disse não ter sido intimada para prestar esclarecimentos e reafirmou inocência. “A intenção da minha fala, que foi interrompida antes da conclusão do pensamento, jamais foi xenofóbica, mas sim pontualmente política”, declarou.

A Câmara Municipal recebeu ao menos cinco representações ligadas ao episódio: quatro contra Guzella e uma contra Vanda. A Mesa Diretora marcou para quarta-feira (12) a análise formal dos pedidos; se admitir os procedimentos, a Casa os encaminhará à Corregedoria, sob condução do primeiro-vice-corregedor Olímpio Araujo Junior (PL), porque Guzella ocupa o cargo de corregedora.

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