Após assumir definitivamente a Prefeitura com a saída de Wladimir Garotinho para disputar uma vaga de deputado federal, Frederico Paes começa a construir identidade própria no comando do município, com atenção especial à Saúde, renovação de equipamentos e maior presença administrativa nas unidades

A mudança no comando da Prefeitura de Campos dos Goytacazes começa a revelar um novo estilo de gestão. Desde que assumiu definitivamente o município, em 2 de abril de 2026, após a desincompatibilização de Wladimir Garotinho para disputar uma vaga de deputado federal, o prefeito Frederico Paes vem tentando imprimir uma identidade própria ao governo. E é justamente na Saúde, setor que conhece de perto por sua trajetória profissional, que essa mudança aparece com maior intensidade nos primeiros meses.
Frederico não recebeu uma administração começando do zero. Como vice-prefeito, participou da gestão anterior e acompanhou um período de ampliação da rede municipal. Durante o governo Wladimir, unidades foram reabertas, a Estratégia Saúde da Família avançou e hospitais como Ferreira Machado e Geral de Guarus mantiveram grande volume de atendimentos. Essa herança precisa ser considerada para que qualquer comparação entre as duas administrações seja feita de maneira equilibrada.
A diferença começa a aparecer menos na ruptura política e mais na forma de administrar. Wladimir construiu uma gestão marcada pela forte presença política e pela comunicação direta com a população. Frederico, nestes primeiros meses, apresenta um perfil mais associado à administração, acompanhamento dos serviços, reuniões técnicas e cobrança por resultados.
Poucos dias depois de assumir o cargo, Frederico reuniu secretários e dirigentes municipais e estabeleceu uma dinâmica de acompanhamento periódico da administração. O objetivo anunciado foi cobrar planejamento, metas e execução das ações de cada setor.
Na Saúde, o movimento foi ainda mais direto. Em abril, a Fundação Municipal de Saúde iniciou reuniões dentro das próprias unidades hospitalares para identificar problemas relacionados à estrutura física, equipamentos, manutenção, protocolos e fluxos de atendimento.

A primeira dessas reuniões ocorreu no Hospital Geral de Guarus (HGG). A estratégia sinalizou uma mudança importante de método: levar a administração até a unidade hospitalar para ouvir profissionais e identificar os gargalos diretamente onde o serviço é prestado.
Essa proximidade com a Saúde não acontece por acaso. Antes de chegar ao comando da Prefeitura, Frederico acumulou experiência na administração hospitalar. Agora, como prefeito, passou a ter a oportunidade de transformar esse conhecimento em decisões de governo.
Em maio, o Hospital Geral de Guarus recebeu 20 novos respiradores, além de mobiliário hospitalar. Na ocasião, também foi anunciada a ampliação da estrutura do centro cirúrgico.
A entrega representa reforço importante para a estrutura hospitalar, embora seja necessário registrar que parte dos investimentos possui origem em processos e recursos anteriores, incluindo emendas parlamentares. Isso significa que nem toda entrega realizada depois de abril pode ser atribuída exclusivamente à administração Frederico.
Ainda assim, cabe ao atual prefeito executar, colocar os equipamentos em funcionamento e garantir que o investimento se transforme em atendimento efetivo à população.
Esse é justamente um dos principais desafios da nova fase: transformar estrutura física, equipamentos e orçamento em redução de espera para quem precisa de consulta, exame ou cirurgia.
Outra medida de impacto operacional ocorreu em junho, quando a Prefeitura apresentou uma nova frota de ambulâncias para atendimento da rede municipal.

O planejamento envolve 40 veículos. Desse total, 32 foram destinados à substituição da frota existente e outros oito representam ampliação da cobertura para unidades que necessitavam do serviço.
A renovação tem impacto direto na rotina da Saúde, especialmente no transporte de pacientes entre hospitais, unidades básicas e serviços especializados.
Diferentemente de obras de grande visibilidade, ambulâncias, respiradores e equipamentos hospitalares são investimentos cuja importância aparece principalmente na rotina de quem depende diariamente do Sistema Único de Saúde.

Os primeiros meses também demonstram uma tentativa de Frederico de não permanecer apenas como o sucessor administrativo de Wladimir.
Não existe, até agora, uma ruptura política entre os dois. Frederico foi vice-prefeito e participou diretamente da administração anterior. Portanto, parte considerável das políticas públicas atualmente existentes nasceu ou começou a ser executada durante o governo anterior.
A diferença está na possibilidade de estabelecer prioridades próprias.
E a Saúde parece ter sido escolhida como uma delas.
Reuniões dentro dos hospitais, renovação de equipamentos, ampliação da frota de ambulâncias, acompanhamento das unidades e iniciativas voltadas à humanização começam a formar uma característica particular da nova administração.
O desafio agora será fazer essa presença administrativa chegar à ponta.
Isso torna ainda mais interessante o desafio político de Frederico.
Ele não precisa necessariamente romper com o antecessor para construir sua própria imagem. Precisa demonstrar que consegue pegar uma estrutura já existente, identificar suas deficiências e entregar resultados melhores.
É uma diferença importante.
Enquanto Wladimir deixou como legado uma administração com forte identidade política e expansão de programas municipais, Frederico começa a apresentar uma imagem mais técnica e administrativa, sobretudo na Saúde.
Apesar dos sinais positivos apresentados nos primeiros meses, a avaliação definitiva da gestão Frederico Paes não pode ser feita apenas pela quantidade de equipamentos entregues, reuniões realizadas ou unidades visitadas.
O verdadeiro indicador estará na vida do paciente.
Quanto tempo um morador de Campos espera por uma consulta especializada?
Quanto tempo leva para conseguir uma ressonância, tomografia ou outro exame?
Quantas pessoas aguardam cirurgias eletivas?
Como está o fornecimento de medicamentos?
Qual é o tempo de espera nas principais unidades?
Quantas cirurgias são realizadas mensalmente?
Esses indicadores permitirão saber se a nova dinâmica administrativa está efetivamente produzindo melhoria na assistência.
Com pouco tempo à frente da Prefeitura, ainda é cedo para estabelecer um julgamento definitivo sobre o governo Frederico Paes.
Há, entretanto, sinais de uma administração que tenta estabelecer prioridades próprias.
A Saúde aparece claramente entre elas.

Frederico recebeu uma Prefeitura estruturada por um governo do qual ele próprio participou e, portanto, não precisa reconstruir toda a máquina municipal. Seu desafio é outro: aperfeiçoar aquilo que funciona, corrigir gargalos históricos e acelerar aquilo que ainda não chega adequadamente ao cidadão.
Nos primeiros meses, a movimentação na Saúde indica disposição para isso.
Se ambulâncias novas, respiradores, reorganização administrativa e acompanhamento direto das unidades forem acompanhados por redução das filas e melhoria dos indicadores assistenciais, Frederico poderá transformar sua experiência no setor em uma das principais marcas de seu governo.
A partir de agora, porém, mais importante que comparar personalidades será comparar resultados.
E é justamente nos hospitais, postos de Saúde e filas por atendimento que a população de Campos dará o veredito mais importante sobre essa nova fase da Prefeitura.