A maioria dos brasileiros não soube da utilização de inteligência artificial pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para recriar a imagem e a voz de Jair Bolsonaro na convenção que lançou o senador à Presidência. Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste sábado (8) pelo Estadão mostra que 60% dos entrevistados desconheciam a existência do vídeo, enquanto 40% afirmaram saber da peça.
O desconhecimento alcança até a base política da família Bolsonaro. Entre os entrevistados identificados como bolsonaristas, 55% disseram não saber que a campanha de Flávio havia usado inteligência artificial para produzir falas atribuídas ao ex-presidente. Outros 45% conheciam o episódio. Na direita não bolsonarista, houve empate: 50% sabiam e 50% desconheciam.
O vídeo foi exibido em 25 de julho, durante a convenção nacional do PL que oficializou Flávio como candidato à Presidência. A peça simulava Jair Bolsonaro falando diretamente ao público e pedindo apoio ao filho. A ocasião que a produção reproduzia artificialmente imagem e voz do ex-presidente, então submetido a restrições determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
🚨🇧🇷🤖 Vídeo de Jair Bolsonaro feito por IA é exibido na convenção de Flávio Bolsonaro. pic.twitter.com/FPC5vzmEg4
— Brasil Alternativo (@bralternativo_) July 25, 2026
A repercussão chegou ao STF. O ministro Alexandre de Moraes deu 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro informasse se o ex-presidente havia autorizado a produção e a divulgação do material. A defesa respondeu que Bolsonaro não tinha dado autorização ao filho para a produção do vídeo. O episódio também motivou uma representação da deputada Dandara Tonantzin (PT-MG) à Procuradoria-Geral da República.
A pesquisa indica, porém, que a controvérsia política e jurídica teve alcance limitado fora do noticiário. A diferença é especialmente grande entre homens e mulheres. Entre as entrevistadas, 70% disseram desconhecer o uso da IA pela campanha de Flávio e somente 30% sabiam do episódio. Entre os homens, 52% afirmaram conhecer o caso e 48% não.
A Quaest também perguntou se havia problema no uso de vídeos de Jair Bolsonaro produzidos com inteligência artificial pela campanha do filho. Metade dos entrevistados, 50%, respondeu que sim. Outros 43% disseram não considerar a prática problemática, enquanto 7% não souberam ou preferiram não responder.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu presencialmente 2.004 pessoas entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais. Os dados foram obtidos e divulgados originalmente pela Coluna do Estadão.