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Lula negocia com Centrão apoio a Motta e Alcolumbre após as eleições, diz jornal

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Lula negocia com Centrão apoio a Motta e Alcolumbre após as eleições, diz jornal

O presidente Lula negocia com dirigentes do Centrão um novo arranjo para o Congresso a partir de 2027, caso seja reeleito em outubro. Segundo o Estadão, o petista assumiu com Ciro Nogueira (PP-PI) o compromisso de apoiar uma nova gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara e tenta construir um entendimento semelhante com Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) no Senado.

De acordo com a reportagem, Ciro conseguiu de Lula a garantia de apoio a Motta caso ambos os lados saiam fortalecidos das urnas. O senador preside o PP e é padrinho político do atual presidente da Câmara. O compromisso teria sido um dos elementos considerados na decisão da federação formada por PP e União Brasil de adotar neutralidade na eleição presidencial, em vez de aderir nacionalmente à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A negociação também teria alcançado a disputa no Piauí. O PT e Ciro fizeram um “acordo de cavalheiros” pelo qual o partido de Lula não atuará para atrapalhar a campanha de reeleição do senador no estado, governado pelo petista Rafael les. Em troca, segundo o jornal, Ciro, que comandou a Casa Civil de Jair Bolsonaro, deixaria de fazer oposição a Lula.

No Senado, o movimento é mais complexo. Lula e Alcolumbre acumulam atritos desde a rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), derrota que o presidente atribuiu à atuação do senador. Os dois começaram a tentar uma trégua durante um jantar realizado na terça-feira (4), na casa do ministro Alexandre de Moraes, com a presença também do ministro Cristiano Zanin.

O encontro teve uma primeira etapa de cobranças mútuas.

Lula teria reclamado da atuação de Alcolumbre na derrota de Messias, enquanto o presidente do Senado disse estar cansado de agir como articulador do governo em votações e depois ser atacado por integrantes do PT. Uma nova conversa foi combinada para discutir as pautas de interesse do Planalto após o recesso.

O eventual entendimento passa pela presidência do Senado, pelas emendas parlamentares e pela relação do governo com o Congresso. Também está no horizonte uma nova tentativa de Lula de indicar Messias ao STF. O cálculo descrito pelo Estadão é que uma vitória eleitoral do presidente aumentaria sua capacidade de negociar votos no Senado e abriria espaço para um acordo com Alcolumbre, que pretende permanecer no comando da Casa.

As conversas ainda convivem com divergências importantes. Alcolumbre sinalizou que propostas como a PEC do fim da escala 6×1 devem ficar para depois das eleições, posição criticada por integrantes do governo e do PT. Os arranjos descritos pelo Estadão são negociações de bastidores, dependem do resultado eleitoral e ainda não foram anunciados formalmente pelas partes como um pacto fechado para 2027.

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