Uma fotografia encontrada pela Polícia Federal no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA) mostra políticos de diferentes partidos reunidos no Rancho Tomaz, propriedade do advogado Willer Tomaz, que voltou à mira das investigações sobre as fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. A imagem, revelada pela revista piauí, registra Arthur Lira (PP), Alexandre Ramagem (PL), Juscelino Filho (PSDB), Elmar Nascimento (União Brasil), Paulo Azi (União Brasil) e o próprio Weverton ao redor da piscina da propriedade.
A foto está registrada no aparelho de Weverton com a data de 23 de abril de 2023. A viagem havia sido organizada por meio de um grupo de WhatsApp chamado “Grupo Seleto”, que reunia parte dos parlamentares presentes na imagem e familiares. Na época, Lira ainda presidia a Câmara, enquanto Ramagem exercia mandato de deputado federal.
O rancho fica em Planaltina, a cerca de 80 quilômetros de Brasília, e pertence a Willer Tomaz. A propriedade tem piscina aquecida, academia, quadras de tênis, minigolfe e píer com acesso à Lagoa Formosa. A fotografia está sob análise dos investigadores, embora não tenha sido citada na petição enviada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para fundamentar a operação mais recente.
A investigação trata, entre outros pontos, da relação financeira entre Willer e Weverton. O inquérito aponta que empresas ligadas ao advogado transferiram cerca de R$ 11 milhões para Samya Rocha, mulher do senador. A PF também apura indícios de que Willer teria comprado a casa onde Weverton mora, no Lago Sul, e custeado despesas como contas de energia, telefone e cartão. Os investigadores suspeitam de tentativa de ocultar ou dissimular a origem de recursos obtidos ilegalmente. As suspeitas são negadas pelos envolvidos.
Willer já havia aparecido anteriormente nas apurações sobre o INSS. Em 2025, relatórios analisados pela PF apontaram movimentações de R$ 45,5 milhões em suas contas entre maio e novembro de 2021 e um pagamento de R$ 120 mil a Milton Salvador de Almeida Júnior, posteriormente ligado a empresas do chamado “Careca do INSS”. Naquele momento, a própria investigação registrava que essas operações não haviam produzido elementos relevantes para estabelecer uma ligação direta com as fraudes previdenciárias.
A fotografia revelada agora amplia o retrato das relações políticas de Willer. O advogado já atuou para figuras como Arthur Lira e os irmãos Joesley e Wesley Batista, além de manter relação próxima com Flávio Bolsonaro. Em 2021, durante a CPI da Covid, Flávio chegou a chamá-lo publicamente de “meu amigo”. Willer buscava, em 2023, apoio para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça, da qual acabou desistindo.
Procurados, alguns participantes confirmaram a relação com o advogado ou a presença no rancho. Paulo Azi disse ter participado da comemoração, enquanto Hiran Gonçalves afirmou frequentar o local “de vez em quando” e disse ser amigo de Willer há mais de 15 anos. Arthur Lira, Alexandre Ramagem e Juscelino Filho não responderam. Willer nega ter qualquer vínculo com o esquema de fraudes no INSS, e Weverton afirma que as movimentações financeiras investigadas decorrem de atividades profissionais e empresariais.