A normalização do fornecimento de energia elétrica ainda não foi concluída quatro dias depois do vendaval que atingiu o estado do Rio. Segundo a Light, cerca de 4 mil consumidores permaneciam sem luz neste sábado (1º), com a maior concentração na Zona Oeste da capital.
A demora na recuperação da rede provocou manifestações de moradores. Em Bangu, ruas foram interditadas em protesto contra a falta de energia. Na região, cabos rompidos pelo temporal de quarta-feira (30) continuam espalhados em alguns pontos.
O mesmo cenário é encontrado em Campo Grande, onde mais de 72h após a tempestade, há ruas com fios caídos e imóveis que ainda aguardam o restabelecimento da energia elétrica.
Em meio às reclamações, a Defensoria Pública do Estado anunciou que ingressou com uma ação contra a Light. O órgão informou que havia solicitado informações sobre as medidas adotadas pela concessionária para enfrentar a crise e o cronograma de normalização do serviço, mas avaliou que as respostas apresentadas não atenderam ao pedido.
Na ação, a Defensoria argumenta que a interrupção prolongada do fornecimento de energia afeta serviços essenciais, como o abastecimento de água. Por isso, pede que a Justiça obrigue a concessionária a apresentar um plano detalhado para solucionar as ocorrências e determine o pagamento de indenização por danos morais coletivos.
O que diz a Light?
“A Light informa que acionou imediatamente seu plano de contingência após o vendaval de gravidade extrema que atingiu o Rio de Janeiro na última quarta-feira (29), com mais de 2.000 profissionais nas ruas para restabelecer o fornecimento de energia o mais rápido possível.
Desde o início da operação, a companhia normalizou o serviço para os cerca de 1,1 milhão de clientes afetados de forma gradativa, tendo recomposto 90% dos clientes em 36 horas. Neste momento, a empresa atua para restabelecer o serviço para aproximadamente 4 mil consumidores, o que representa cerca de 0.1% da base de clientes da empresa, sem grandes blocos de carga interrompida, apenas para clientes isolados que requerem reparos muito complexos, como reconstrução de redes inteiras: colocação de postes, transformadores e linhas de distribuição.
A concessionária ressalta que durante toda a operação foram priorizados serviços essenciais, como hospitais, clínicas, unidades de segurança pública e empresas de saneamento, além de clientes com necessidades especiais e equipamentos de suporte à vida.
Diante da dimensão dos danos provocados pelo vendaval, o plano de contingência foi executado dentro do tempo previsto para um evento dessa magnitude. Os atendimentos seguem em fase final para concluir as ocorrências remanescentes”.
Sobre o vendaval
Rajadas superiores a 100 km/h deixaram mortos, derrubaram árvores, interromperam o fornecimento de energia para mais de meio milhão de consumidores, afetaram aeroportos, trens, metrô e VLT e transformaram ruas em cenários de destruição.
Em Santa Teresa, na região central da capital, um muro desabou sobre duas pessoas na Rua Júlio Otoni, matando Tássio Maia dos Santos, ex-jogador do Botafogo, e o amigo Vandré Cordeiro. Pouco antes do acidente, crianças brincavam na calçada e escaparam sem ferimentos.
O pescador desaparecido em Mambucaba foi encontrado morto na praia de, no início da tarde desta quinta. A Polícia Civil também apura se a morte de três pessoas na Cidade de Deus está ligada ao temporal.
Na Baixada Fluminense, uma pessoa ficou gravemente ferida após parte da cobertura de um imóvel desabar em Mesquita. Já em Angra dos Reis, na Costa Verde, um pescador desapareceu no mar durante a passagem da frente fria.
O Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) informou que mais de 50 ocorrências envolvendo queda de árvores foram atendidas durante a madrugada. Ainda assim, o órgão mantinha, nas primeiras horas desta quinta-feira, 27 registros em aberto em diferentes bairros da cidade.
Além das árvores sobre vias públicas, o município contabiliza mais de 30 ocorrências de galhos e troncos sobre a rede elétrica, além da queda de um poste em Bangu.