A União Europeia realizará nesta terça-feira (04) reuniões de emergência para discutir a crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África que recebeu cerca de 60 mil pessoas vindas do Marrocos. A onda de travessias deixou ao menos 67 mortos e provocou atritos entre o governo espanhol e países do bloco. Com informações da BBC.
Vinte e dois Estados-membros enviaram uma carta conjunta a António Costa, presidente do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e ao primeiro-ministro irlandês Michael Martin. O grupo cobra ação coordenada e reforço das fronteiras externas da UE.
Os signatários afirmam que a entrada em massa cria a percepção de que a imigração irregular para a União Europeia é possível. Na carta, eles alertam que isso pode incentivar novas tentativas e abalar a confiança na política migratória comum.
A Espanha reagiu às medidas adotadas por outros governos. A Itália suspendeu por um mês a aplicação do acordo de livre circulação de Schengen com a Espanha, decisão que teve apoio da Finlândia e da Dinamarca; França e Portugal também avaliam controles fronteiriços.
Espanha diz ter retomado controle da fronteira
Em carta a von der Leyen, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez afirmou ter “sérias preocupações” com governos europeus que, segundo ele, atacaram a Espanha “motivados por preconceito, notícias falsas, ignorância ou interesses políticos”. Ele ressaltou que Ceuta não integra o Espaço Schengen.
Sánchez declarou que seu governo retomou totalmente o controle da fronteira e impediu movimentos não autorizados rumo à Europa continental em menos de 48 horas. As autoridades espanholas dizem que quase todos os migrantes que chegaram em 30 de julho já saíram de Ceuta.
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou no sábado (01) que a situação havia voltado praticamente à normalidade. “Quase todos [os migrantes] já deixaram Ceuta”, disse, acrescentando que os comércios locais reabriram.
O governo espanhol trabalha na instalação de uma barreira inflável para tentar impedir travessias pela água. Migrantes conseguem alcançar Ceuta após nadar vários quilômetros a partir do Marrocos, em uma das duas únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e a África.
Von der Leyen classificou as imagens da crise como “inaceitáveis” e declarou que a UE não pode permitir a entrada de pessoas sem o cumprimento de suas regras. O chanceler alemão Friedrich Merz cobrou que Marrocos receba de volta os imigrantes irregulares imediatamente.
Ceuta enfrenta fluxos migratórios recorrentes, sobretudo no verão, quando redes sociais ajudam a organizar deslocamentos. Em 2021, cerca de 8 mil pessoas entraram no enclave em poucos dias, episódio que também elevou a tensão diplomática entre Espanha e Marrocos.