O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que representou a família de Marcos Matsunaga na acusação contra Elize Matsunaga, criticou o filme “Elize: Sombras de Uma Mulher”, da Netflix, por considerar que a obra altera fatos centrais do crime. Para ele, a produção constrói uma justificativa para o assassinato ao sugerir que Elize agiu para evitar a própria morte.
Em entrevista ao Metrópoles, o criminalista rejeitou a versão de que Elize Matsunaga teria enfrentado uma situação extrema quando matou o marido. “A Elize não seria morta. Esta ideia de ser morta é uma ficção, uma narrativa construída pela defesa dela”, afirmou.
D’Urso disse que as provas debatidas no julgamento não sustentaram a tese de que Elize precisaria preservar a própria vida. A defesa dela apresentou argumentos de legítima defesa e forte emoção, mas o Tribunal do Júri de São Paulo não os aceitou.
Elize Matsunaga recebeu, em 2016, pena de 16 anos de prisão pelo assassinato, esquartejamento e ocultação do cadáver de Marcos Matsunaga. Os jurados reconheceram o homicídio duplamente qualificado.
Advogado contesta versão de risco de vida retratada no filme
O advogado afirmou que testemunhas ouvidas no júri descreveram Marcos Matsunaga como um marido atencioso e não relataram histórico de violência no relacionamento. “Não havia risco de vida para ela. Marcos nunca foi violento com ela. Pelo contrário”, declarou.
Segundo D’Urso, a crise entre o casal ocorreu depois que Elize descobriu um relacionamento extraconjugal de Marcos. Para o representante da família, esse abalo não comprova que ela estivesse ameaçada de morte.
Na avaliação da acusação, Elize planejou o assassinato dias antes do crime, em contraste com a narrativa apresentada pela adaptação cinematográfica. O advogado sustenta que a obra adotou uma interpretação diferente daquela acolhida pelo júri.
D’Urso elogiou aspectos técnicos de “Elize: Sombras de Uma Mulher”, mas classificou o filme como ficção no tratamento dado ao crime. “O filme vale como uma obra de ficção, mas, no que diz respeito ao crime em si, comete erros gravíssimos”, disse, citando mudanças e omissões sobre a forma como Marcos Matsunaga foi morto.