A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o maior erro do governo de Nicolás Maduro foi não ter sido “mais aberto geopoliticamente” e defendeu uma reaproximação com os Estados Unidos. Em entrevista à revista Time, ela revelou detalhes de suas conversas com o presidente Donald Trump, falou sobre a retomada das relações diplomáticas, comentou o futuro das eleições na Venezuela e traçou os planos econômicos de seu governo.
Há quase sete meses no comando do Palácio de Miraflores, após o sequestro de Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, Rodríguez disse que aquele episódio marcou “um ponto de inflexão” para o país.
“O dia 3 de janeiro marcou um ponto de inflexão para a Venezuela. A primeira coisa que mudou foi o panorama político”, declara.
Ela também negou ter sido informada previamente sobre a ofensiva americana, como sugeriram alguns analistas. Ao fazer uma autocrítica do governo anterior, Delcy afirmou que a Venezuela deveria ter diversificado muito antes suas alianças internacionais.
“Nós deveríamos ser mais abertos geopoliticamente”, diz. Segundo ela, essa reflexão explica a decisão de buscar uma nova relação com Washington.
Maduro está atualmente preso em Nova York sob acusações de narcotráfico. Seu julgamento está previsto para começar em junho de 2027.
Delcy revela primeira conversa com Trump
Rodríguez contou que seu primeiro contato telefônico com Donald Trump ocorreu poucos dias após assumir o governo. Segundo ela, fez apenas um pedido ao presidente americano.
“Ele foi muito gentil e muito respeitoso, e por isso sou grata. Desde nossa primeira conversa, pedi que nossa relação fosse baseada no respeito mútuo”, afirma.
Questionada sobre a resposta de Trump, disse que o presidente americano concordou imediatamente. “Ele respondeu com respeito. Conversamos sobre como estabelecer relações diplomáticas entre Venezuela e Estados Unidos e quais áreas de interesse comum poderíamos identificar”, diz.
Telefonema inesperado da Casa Branca
A líder venezuelana também relatou um episódio que, segundo ela, demonstra o caráter prático das conversas com Trump. Ela contou que, certa manhã, recebeu uma ligação do secretário de Estado Marco Rubio.
“Marco Rubio me ligou e disse: ‘Vou colocá-la na linha com alguém que quer cumprimentá-la’. Era o presidente Trump”, relata. Segundo Delcy, Trump telefonou pessoalmente para comunicar uma decisão do governo americano. “Ele me ligou para dizer que iria aprovar os voos comerciais para a Venezuela. Tudo foi muito específico e centrado na nossa agenda de trabalho e cooperação.”
Rodríguez afirmou que o restabelecimento das relações entre Caracas e Washington ocorreu em ritmo acelerado.
Segundo ela, apenas alguns dias após as primeiras conversas chegaram os primeiros representantes diplomáticos americanos à Venezuela, seguidos pela nomeação de um encarregado de negócios que, de acordo com a líder venezuelana, vem desempenhando papel ativo na reconstrução do diálogo bilateral.
Ao ser questionada sobre a realização de novas eleições presidenciais, Delcy evitou fixar uma data. Segundo ela, a Venezuela só voltará às urnas quando houver consenso entre as forças políticas. “A Venezuela realizará eleições quando estiver preparada.”
Ela acrescentou que será necessário um entendimento nacional para que todos possam dizer à população que o sistema político está pronto para um novo processo eleitoral.
Rodríguez também evitou comentar o futuro político da líder opositora María Corina Machado. Na área econômica, afirmou que a abertura para investimentos privados continuará sendo prioridade do governo.
Ela destacou que petróleo e gás permanecerão como pilares da economia venezuelana e afirmou que o país pretende ampliar a indústria petroquímica.
Também apontou mineração, produção de alimentos e turismo como setores estratégicos para impulsionar o crescimento econômico.