Os ataques cibernéticos contra sistemas de abastecimento de água dos Estados Unidos já atingem pelo menos sete estados e podem ter uma dimensão ainda maior, segundo autoridades e especialistas. Enquanto a investigação avança, cresce a suspeita de que a ofensiva tenha sido conduzida pelo Irã, embora o governo americano ainda não tenha confirmado oficialmente essa conclusão.
Até o momento, não há indícios de que o fornecimento de água tenha sido contaminado ou tornado impróprio para consumo. Ainda assim, governos estaduais e municipais colocaram suas equipes em estado de alerta para proteger computadores responsáveis pelo monitoramento da qualidade da água, incluindo o controle de produtos químicos usados no tratamento e da pressão das redes de distribuição.
Minnesota foi o primeiro estado a divulgar publicamente os ataques. Desde então, Michigan informou que seus sistemas também foram alvo da ofensiva, enquanto autoridades federais avaliam que o número de estados afetados pode ser significativamente maior.
Especialistas afirmam que um ataque desse tipo tem poucos precedentes nos Estados Unidos. Há décadas, a possibilidade de uma potência estrangeira lançar uma ofensiva cibernética contra infraestrutura crítica em meio a um conflito militar é tratada como um dos maiores riscos à segurança nacional, frequentemente retratado em filmes de Hollywood.
Investigadores ressaltam que ainda não há uma conclusão definitiva sobre a autoria. No entanto, autoridades apontam que o Irã intensificou suas operações cibernéticas desde o início da guerra travada contra o país pelos Estados Unidos e Israel, há cerca de cinco meses. Segundo essas avaliações, Teerã já havia atacado anteriormente sistemas de abastecimento de água e outras infraestruturas críticas americanas. A ausência de motivação financeira também reduz a probabilidade de que a ação tenha sido conduzida por grupos criminosos comuns.
Apesar da crescente preocupação entre especialistas e órgãos de segurança, o presidente Donald Trump minimizou o caso na sexta-feira (31). Questionado sobre a possível participação iraniana, o republicano rejeitou a hipótese apresentada por agências de inteligência dos EUA e sugeriu, sem apresentar evidências, que o próprio estado de Minnesota estaria por trás do episódio.
“Acho que Minnesota está por trás disso. Não aque tenha havido um ataque cibernético iraniano”, declarou Trump a jornalistas.
As autoridades continuam investigando a extensão dos ataques e trabalham para reforçar a proteção das redes responsáveis pelo abastecimento de água, consideradas parte da infraestrutura crítica dos Estados Unidos.