A semaglutida oral reduziu o número de dias de consumo excessivo de álcool entre pessoas diagnosticadas com transtorno por uso de álcool moderado a grave, aponta um ensaio clínico realizado nos Estados Unidos. Os autores classificaram os resultados como “promissores” e defendem estudos maiores antes de uma possível adoção do medicamento para esse fim. Com informações da Veja.
O estudo saiu em 29 de julho na revista científica “The American Journal of Psychiatry”. A semaglutida é o princípio ativo de remédios como Ozempic e Wegovy, usados sobretudo no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.
Pesquisadores do Campus Médico Anschutz da Universidade do Colorado acompanharam 50 adultos entre novembro de 2023 e outubro de 2025. Todos tinham mais de 21 anos e relataram pelo menos um episódio de consumo excessivo de álcool na semana anterior ao início da pesquisa.
Entre os homens, os participantes consumiam em média 28 doses ou mais por semana; entre as mulheres, o patamar era de ao menos 21 doses. A pesquisa considerou consumo excessivo cinco ou mais doses em um dia para homens e quatro ou mais para mulheres.
Teste comparou semaglutida oral e placebo durante oito semanas
O ensaio adotou modelo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com duração de oito semanas. Metade dos voluntários recebeu 3 mg diários de semaglutida oral nas quatro primeiras semanas e 7 mg por dia nas quatro semanas seguintes; os demais receberam placebo.
As doses testadas ficaram abaixo das usadas habitualmente contra diabetes e obesidade. Os pesquisadores avaliaram que a formulação oral pode ser mais aceitável para pacientes com transtorno por uso de álcool do que versões injetáveis já examinadas em pesquisas anteriores.
A semaglutida não provocou redução significativa do desejo por álcool nos testes de laboratório. Ainda assim, o grupo medicado registrou menos dias de consumo excessivo, menos bebidas por dia e menor desejo de beber em situações cotidianas.
Os participantes que receberam semaglutida também tiveram menos problemas associados ao álcool e mais pessoas reduziram o nível de consumo de risco em ao menos uma faixa, como de alto para moderado. O estudo ainda identificou queda nos dias de uso de cannabis, resultado que os autores tratam como exploratório e que deverá ser verificado em pesquisas maiores.
Os eventos adversos, incluindo os gastrointestinais, seguiram taxas semelhantes às observadas em outros usos da semaglutida, e poucos participantes abandonaram o teste por esse motivo. Os pesquisadores afirmaram que ainda precisam verificar se a redução no consumo de álcool permanece após a interrupção do medicamento.