Os ferroviários aprovaram na noite desta segunda-feira (3) uma greve por tempo indeterminado nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade dos trens metropolitanos de São Paulo. A paralisação começa à meia-noite desta terça-feira (4) e pode interromper completamente a circulação nos três ramais. Com informações do MetrôCPTM.
A decisão foi tomada em assembleia após uma reunião entre representantes do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil e integrantes do governo de São Paulo. Participaram das negociações dirigentes da CPTM, autoridades da área de transportes e representantes da categoria, mas não houve acordo.
A principal reivindicação é a garantia dos empregos dos trabalhadores da CPTM após a concessão das linhas à Trivia Trens. O sindicato também cobra uma resposta formal do governo sobre o futuro dos funcionários que atuam nos ramais e defende que a operação permaneça definitivamente sob responsabilidade da estatal.
A mobilização ganhou força depois da sequência de panes registrada nos primeiros dias da gestão da Trivia. A concessionária assumiu integralmente as linhas em 21 de julho, mas problemas de energia, interrupções e um princípio de incêndio levaram passageiros a caminhar pelos trilhos e provocaram horas de transtornos.
Diante da crise, a Artesp suspendeu temporariamente a operação da Trivia e determinou que a CPTM reassumisse as linhas por até 90 dias. A agência afirmou que a empresa privada só poderá voltar ao comando se demonstrar capacidade para corrigir as falhas e reagir adequadamente a novas ocorrências.
O Sindicato dos Metroviários anunciou apoio à greve e convocou um Dia de Luta contra a Privatização. Os funcionários do Metrô trabalharão sem uniforme e, preferencialmente, com camisetas cinzas. Às 16h30, haverá um “Café com o Usuário” e a distribuição de uma carta aberta na Estação Brás.
A categoria metroviária, porém, não aprovou paralisação. As linhas do Metrô devem operar normalmente, assim como a Linha 10-Turquesa e as linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda. A greve está restrita aos trabalhadores das linhas 11, 12 e 13.
Os sindicatos defendem o cancelamento do contrato com a Trivia, a reestatização dos ramais e o retorno integral da gestão ao poder público. A concessão foi firmada por 25 anos e prevê R$ 14,3 bilhões em investimentos privados, além de aportes públicos para obras, reformas e expansão da rede.