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Esconderam Gabriela Hardt para continuar protegendo o lavajatismo. Por Moisés Mendes

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Esconderam Gabriela Hardt para continuar protegendo o lavajatismo. Por Moisés Mendes

O nome da juíza Gabriela Hardt não apareceu, mas deveria ter aparecido, nas capas dos jornalões online nessa quarta-feira. Gabriela fica impedida de exercer a magistratura por dois anos, por decisão na terça-feira do Conselho Nacional de Justiça.

Os jornalões esconderam a notícia, não para proteger a juíza, mas para continuar a blindagem da imagem da Lava-Jato. Gabriela Hardt caiu numa armadilha, como juíza substituta de Sergio Moro, ao homologar o acordo que criaria uma fundação com R$ 2,5 bilhões da Petrobras, idealizada e planejada pelo procurador Deltan Ddallagnol.

Foi uma armadilha porque Moro, que poderia ter referendado a criação da fundação, como juiz titular da Lava-Jato, adiou essa decisão, abandonou o Judiciário em novembro de 2018 e foi trabalhar para Bolsonaro.

A bomba caiu no colo de Gabriela, que avalizou a ideia de Dallagnol por estar ocupando na época a 13ª Vara Federal de Curitiba. O CNJ entendeu agora que a juíza participou de conversas sobre a criação da fundação, fazendo ajustes e combinações com Dallagnol, quando deveria se ater ao exame da possibilidade de avalizar ou não a ideia, depois de consultada.

Folha, Globo e Estadão esconderam a notícia, como escondem tudo que atinge Sergio Moro, porque a dívida de gratidão com o ex-juiz é impagável. A informação sobre a decisão histórica do CNJ ficou camuflada nos cantinhos, e Moro continua sendo blindado.

Dallagnol nunca foi punido por correição administrativa, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), porque abandonou o MP e se candidatou a deputado federal. Depois, exatamente por ter usado a candidatura como subterfúgio para escapar de punições, segundo TSE, teve o mandato cassado em maio de 2023.

É compreensível que muitos sintam pena da juíza agora encostada. Não foi ela que conduziu a Lava-Jato até o momento de criação da fundação. A ideia foi de Dallagnol e de Sergio Moro.

Mas na hora de assinar a coisa, sobrou para a juíza, que deixou suas digitais num projeto que, em qualquer outra circunstância e com outros personagens, caracterizaria apropriação indébita. Foi mais ingênua do que cúmplice? Dallagnol e Moro devem saber.

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