Um estudo da Avaaz apontou que 89,77% dos eleitores de Jair Bolsonaro (PSL) entrevistados acreditaram em ao menos uma notícia falsa durante a eleição presidencial de 2018. A pesquisa também indicou que 98,21% desse grupo tiveram contato com uma ou mais informações falsas na campanha. Com informações de Folha de S.Paulo.
A IDEA Big Data realizou o levantamento entre 26 e 29 de outubro, com 1.491 pessoas em todo o país. A análise considerou a circulação de conteúdos no Facebook e no Twitter, no período que incluiu o segundo turno da disputa entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT).
A falsa alegação de fraude nas urnas eletrônicas para transferir votos a Haddad alcançou 93,1% dos eleitores de Bolsonaro ouvidos. Entre eles, 74% disseram acreditar na história, que circulou intensamente nas redes após o primeiro turno.
Diego Casaes, coordenador de campanhas da Avaaz, afirmou que a mensagem sobre suposta fraude atingiu 16 milhões de pessoas nas redes em 48 horas após a primeira etapa da eleição e continuou a circular no segundo turno. “As fake news devem ter tido uma influência muito grande no resultado das eleições, porque as histórias tiveram alcance absurdo”, disse.
Falsas mensagens contra Haddad e o PT circularam na campanha
O levantamento também mediu o alcance da mentira de que Haddad teria implementado o chamado “kit gay”. A informação chegou a 85,2% dos eleitores de Bolsonaro consultados, e 83,7% afirmaram ter acreditado nela.
Entre os eleitores de Haddad, 61% relataram ter visto a mesma notícia falsa, enquanto 10,5% disseram considerá-la verdadeira. Pesquisas realizadas por outros institutos antes do segundo turno concluíram que a maior parte das mensagens falsas tinha Haddad e o PT como alvos.
Casaes atribuiu a adesão às mensagens à aparência de veracidade construída pelos conteúdos. “As pessoas conhecem o problema das fake news e têm clareza do impacto negativo que causam, mas as notícias falsas trazem elementos passíveis da verdade”, declarou, ao citar montagens de vídeo usadas na falsa acusação sobre as urnas.
Ricken Patel, fundador e CEO da Avaaz, disse que a democracia brasileira estava “se afogando em notícias falsas” e classificou as histórias como “armas tóxicas cuidadosamente fabricadas para destruir a elegibilidade de um candidato”. A Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou que o uso massivo de fake news em redes privadas para manipular o voto no Brasil talvez não tivesse precedentes.