Após anos de disputas judiciais, o complexo turístico Maraey, considerado um dos maiores empreendimentos privados em desenvolvimento no estado do Rio de Janeiro, recebeu sinal verde da Justiça e dará início às obras de infraestrutura nesta semana em Maricá.
Com investimento estimado em R$ 11 bilhões, o projeto ocupará uma área de 844 hectares entre a praia e a lagoa, na região oceânica do município, e prevê a construção de resorts de luxo, hotéis internacionais, residências de alto padrão e uma escola especializada em hotelaria.
A retomada do empreendimento ocorre após decisão da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a continuidade das obras e reformou decisão anterior que havia suspendido as licenças ambientais.
Primeira fase prevê investimento de R$ 4,5 bilhões
A etapa inicial do projeto está avaliada em R$ 4,5 bilhões e contempla:
- Três hotéis de luxo;
- Mais de 1.100 quartos;
- 244 branded residences;
- Escola de hotelaria certificada pela École Hôtelière de Lausanne;
- Infraestrutura urbana completa.
Entre os empreendimentos previstos estão:
- Primeiro resort temático da marca Rock in Rio;
- Primeiro hotel Ritz-Carlton Reserve da América do Sul;
- Resort all-inclusive da bandeira JW Marriott.
Segundo os responsáveis pelo projeto, as primeiras intervenções incluem a construção de aproximadamente 23 quilômetros de vias pavimentadas, além da implantação das redes de água, esgoto e energia elétrica.
Essa fase deverá durar cerca de dois anos.
Primeiros hotéis devem começar a ser construídos em 2027
De acordo com o cronograma divulgado pelos investidores, as obras dos hotéis e estruturas turísticas devem começar no início de 2027.
A expectativa é que os primeiros hóspedes sejam recebidos até o final de 2029.
O CEO do projeto, o empresário espanhol Emilio Izquierdo, vem apresentando o empreendimento para investidores nacionais e internacionais. Entre os alvos estão fundos de pensão brasileiros, que administram patrimônio superior a R$ 1,4 trilhão.
A meta é captar aproximadamente R$ 800 milhões ainda este ano por meio de financiamentos e participação acionária.
Além disso, o projeto já possui acordos de intenção que somam cerca de R$ 3,5 bilhões com organismos multilaterais internacionais, incluindo a International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial.
Disputa judicial se arrastou por anos
O projeto enfrentou uma longa batalha judicial envolvendo questões ambientais.
Em 2023, uma decisão judicial suspendeu as licenças ambientais e determinou a paralisação das obras após ação movida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Na ocasião, o órgão apontou possíveis riscos ao ecossistema de restinga existente na região.
Posteriormente, o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça, que decidiu liberar a continuidade do empreendimento, entendendo que a discussão deve ser analisada em profundidade pela primeira instância da Justiça.
Com a decisão, o projeto voltou a avançar administrativamente e iniciou nova etapa de captação de recursos e execução.
Prefeitura aposta em impacto econômico histórico
A Prefeitura de Maricá estima que o complexo poderá gerar aproximadamente:
- 18 mil empregos diretos e indiretos durante as obras;
- 9 mil empregos permanentes após a inauguração;
- Cerca de R$ 485 milhões por ano em arrecadação tributária.
Em janeiro deste ano, durante a Feira Internacional de Turismo (Fitur), realizada em Madri, na Espanha, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, assinou uma carta de intenções bilionária voltada à expansão do empreendimento e à atração de novos investidores internacionais.
Maricá mira turismo internacional
A expectativa dos investidores e do município é transformar Maricá em um dos principais destinos de turismo de luxo da América Latina.
Com marcas internacionais inéditas no continente e investimentos bilionários, o Maraey é apontado como um dos maiores projetos turísticos em desenvolvimento no Brasil, podendo alterar significativamente o perfil econômico da cidade nas próximas décadas.