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Redivivo, golpismo exige nova edição do histórico ato nas Arcadas do Largo de São Francisco

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Redivivo, golpismo exige nova edição do histórico ato nas Arcadas do Largo de São Francisco

Em 11 de agosto fará quatro anos que as Arcadas do Largo de São Francisco, que abrigam a mitológica Faculdade de Direito da USP, foram palco de um potente ato das vozes democráticas brasileiras contra o golpismo que se prenunciava. Ali lançou-se a “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito”, lida por três mulheres e um homem – bom sinal dos tempos. Miguel Reale Jr. foi chamado de fascista e o coro ensurdecedor, no encerramento do evento, foi “olê, olê, olê, olá! Lula! Lula!”.

A democracia pulsou de verdade naquela hora, como testemunhado por este jornalista. Por obra e graça dos deuses da civilidade e dos humanos civilizados, Lula derrotou Bolsonaro dias depois e passamos todos a respirar o ar da democracia. Por obra das forças reacionárias instaladas no Brasil e hoje turbinadas pelo desejo imperial do presidente dos Estados Unidos, o ímpeto golpista é abertamente redivivo, como transparecido no discurso de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas fraudadas e em outros gestos. Tudo reforçado por medidas comerciais do governo americano que nem sequer disfarçam sua motivação ideológica.

O mega-ato democrático de 11 de agosto de 2022 precisa ser reprisado. A onda fascista levanta-se com imponência, a despeito da tibieza política do candidato da extrema-direta. Já há relatos confiáveis na imprensa democrática de arquitetações para melar a provável vitória de Lula. Aarticulação, registre-se, é notória e logo será pública.

Vale uma revisitação ao que escrevemos quatro anos atrás, num momento em que sentiu-se na veia a resiliência da democracia brasileira, alcançada com sangue, suor e lágrimas. Foi gratificante, naquela ocasião, trocar algumas palavras com gente que sempre a defendeu com propriedade. Como o Padre Júlio Lancelloti, que nos disse ao pé do ouvido: “Fica claro que o povo está vivo, está alerta, e que os ideais democráticos são maiores que qualquer tentativa de golpe”.

No meio de tantos juristas, intelectuais, artistas, esportistas, empresários, políticos, sindicalistas, jornalistas, professores e estudantes, a coluna pisou nas Arcadas e o primeiro a encontrar foi Pedro Serrano, constitucionalista sempre do lado certo da História. “Isto aqui mostra que a sociedade civil não aceita golpismo”, disse-nos o eminente jurista.

O ato nas Arcadas de 11 de Agosto de 2022 mereceu comparação com o movimento das “Diretas Já” pela adesão plural antes de tudo. Uma das diferenças é que, em 1984, pairava sobre a mobilização a figura de Ulysses Guimarães, alcunhado “Senhor Diretas”. “Os participantes são de muitas orientações filosóficas, políticas, sociais. O que os une é a democracia, é a defesa do Estado de Direito. Isso é muito importante. O Brasil já viveu muitas experiências assim – eu estou comparando às Diretas, de que participei junto com o magnífico político brasileiro Ulysses Guimarães, que faz muita falta aqui por sua visão universalista, ampla”, disse-nos o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, braço direito – quiçá também esquerdo – do ilustre parlamentar para temas econômicos.

Entre tantos juristas defensores da democracia, o fundador da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, desembargador Marcelo Semer, fez a seguinte ponderação a este jornalista: “É muito importante um ato apartidário, que defende a democracia, que defende a justiça, que defende a votação, para mostrar que a sociedade está garantindo a lisura nas eleições. O que não é possível é tentar jogar do lado de fora, ou seja, perder e virar o jogo depois”.

O ato de 11 de agosto de 2022 foi um grande, forte aviso: atenção, Brasil, mostre sua veia democrática porque o presidente da República vai tentar um golpe. Por isso o que nos falou Walter Casagrande Júnior veio a calhar: “Algumas pessoas talvez achem que só os golpistas saem à rua, para agredir a democracia. Nós mostramos que estamos juntos na defesa da democracia, só que as nossas armas são as urnas e as assinaturas. Não temos outras armas, não somos violentos. Somos da paz e pela democracia”.

Que essas pessoas não suponham que o risco fascista está superado. Que as Arcadas sirvam novamente à democracia, antes do próximo passo bolsonarista na direção de um novo golpe.

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