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Com Lula, Amazônia tem menor nível de alertas de desmatamento sob ameaças no Congresso

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Com Lula, Amazônia tem menor nível de alertas de desmatamento sob ameaças no Congresso

A Amazônia registrou o menor nível de áreas sob alerta de desmatamento da série atual do sistema Deter, iniciada em 2016. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram identificados 2.874,38 km² sob alerta, redução de 36,87% em relação ao ciclo anterior, quando o volume ficou próximo de 4.495 km². O resultado reforça a tendência de queda registrada desde o início do governo Lula, mas organizações ambientais alertam que mudanças em discussão no Congresso podem atingir instrumentos usados justamente para ampliar a fiscalização.

O Deter, operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), utiliza imagens de satélite para detectar alterações na cobertura florestal praticamente em tempo real e orientar operações de fiscalização. Os dados não correspondem à taxa oficial de desmatamento da Amazônia, calculada pelo Prodes, outro sistema do instituto. Ainda assim, a queda dos alertas aumenta a expectativa de nova redução no índice anual consolidado.

Segundo cálculo do Observatório do Clima com base nos dados do Deter, os quatro ciclos anuais do atual governo somam 19.642 km² sob alertas na Amazônia, contra cerca de 33,4 mil km² entre 2019 e 2022. A diferença representa redução de aproximadamente 41%. Para a entidade, o desempenho está relacionado à retomada de políticas de controle e ao fortalecimento da atuação do Ibama.

Um dos instrumentos destacados pelas organizações são os embargos realizados a partir do monitoramento remoto. Segundo dados do Ibama citados pelo Observatório do Clima, cerca de 815 mil hectares foram embargados remotamente no país desde 2023. Somente em 2026, aproximadamente 350 mil hectares de áreas com indícios de desmatamento irregular na Amazônia foram alcançados por esse tipo de medida.

“Os números apresentados hoje são históricos, fruto de políticas sérias de proteção ambiental, e provam que é plenamente possível cumprir o compromisso assumido pelo país de zerar e reverter o desmatamento até 2030”, afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. O Greenpeace Brasil também avalia que, caso o Prodes confirme a tendência do Deter, o país poderá chegar a um dos menores níveis de desmatamento desde o início do monitoramento por satélite.

As entidades, porém, apontam riscos no Congresso. A Câmara aprovou em maio o PL 2.564/2025, que muda as regras para medidas cautelares ambientais. Pela versão enviada ao Senado, a fiscalização poderá continuar utilizando detecção remota, inclusive imagens de satélite, mas deverá notificar previamente o responsável antes de impor embargo ou outra medida quando a constatação se basear nesse tipo de monitoramento. Ambientalistas argumentam que a exigência pode reduzir a velocidade de reação do Estado diante de desmatamentos em áreas extensas e de difícil acesso.

O Observatório do Clima também cita outras propostas que podem flexibilizar regras de proteção à vegetação, reduzir salvaguardas de unidades de conservação ou facilitar a regularização de áreas ocupadas irregularmente. Para as organizações, a queda atual mostra que o uso de tecnologia, fiscalização e políticas de comando e controle produz resultados, mas não garante sozinho a continuidade da trajetória. O desafio, segundo elas, é impedir retrocessos legislativos ao mesmo tempo em que o país tenta cumprir a meta de zerar o desmatamento até 2030. Publicado originalmente no Brasil de Fato.

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