O presidente Lula afirmou neste sábado (8) que pretende enviar a Donald Trump os dados mais recentes sobre a queda dos alertas de desmatamento na Amazônia. Durante o encontro pelos 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, ele chamou o presidente estadunidense de “meu amigo Trump” e disse que quer mostrar que as informações recebidas pelo republicano sobre o tema não correspondem, em sua avaliação, à realidade.
“Eu quero preparar os números e mandar para o meu amigo Trump”, afirmou Lula. O presidente retomou o assunto ao mencionar Marina Silva, que estava no evento, e destacou o resultado mais recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A fala ocorreu no mesmo ato em que Lula tratou de moradia, participação das mulheres e do fim da escala 6×1 como bandeiras de sua campanha.
Os dados consolidados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) mostram que a Amazônia registrou 2.874,38 km² de áreas sob alertas entre agosto de 2025 e julho de 2026. O valor representa queda de 36% em relação ao ciclo anterior e é o menor da série histórica do sistema para esse período, iniciada em 2016. Segundo o governo, o resultado também ficou 55,6% abaixo da média dos últimos dez ciclos.
▶️ Lula promete provar a Trump queda no desmatamento
🗣️”Como os Estados Unidos, nesse novo tarifaço que ele fez para o Brasil, um dos motivos era que a gente não cuidava do desmatamento, eu quero preparar os números e mandar para o meu amigo Trump para ele saber que quem… pic.twitter.com/DUH9y43o6P
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) August 8, 2026
O Deter produz alertas para orientar ações de fiscalização e controle em tempo real. Ele não deve ser confundido com o Prodes, sistema do Inpe responsável pela taxa anual oficial de desmatamento. Lula pretende usar justamente os números do Deter para responder a uma das críticas incluídas pelos Estados Unidos na ofensiva comercial contra o Brasil.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, incluiu o desmatamento ilegal entre as questões apontadas contra o país. O órgão reconhece a existência de legislação ambiental brasileira, mas sustenta que o Brasil historicamente não teria aplicado essas normas de forma eficaz. Comércio digital, propriedade intelectual, etanol e outras políticas brasileiras também apareceram entre as reclamações apresentadas pelo governo Trump.
Na sexta-feira (7), durante visita ao Inpe em São José dos Campos, Lula já havia dito que fotografaria os gráficos apresentados pelo instituto e os enviaria ao presidente estadunidense. No ato do MTST, voltou ao assunto e transformou a promessa em uma resposta direta à justificativa ambiental usada por Washington. “Para ele saber que quem informou ele não informou sobre a verdade”, declarou.