O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil para apurar as falhas que paralisaram as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade do trem metropolitano na semana passada. O episódio ocorreu dois dias após a concessionária Trívia Trens assumir a administração dos ramais.
A promotora Patrícia de Carvalho Leitão, da 4ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital, assinou a portaria. A investigação terá prazo inicial de um ano, com possibilidade de renovação por mais um ano. Nesta terça-feira (4), funcionários da CPTM iniciaram uma greve contra as privatizações de Tarcísio.
O Ministério Público recebeu representações de um usuário da Linha 11-Coral, da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e da ativista de direitos humanos Sofia Favero. As denúncias citam paralisações, superlotação, panes em catracas, interrupção de energia, princípio de incêndio e passageiros caminhando pelos trilhos.
Na quinta-feira (23), uma falha no fornecimento de energia e um incêndio em um trem interromperam as três linhas. A operação só voltou completamente no início da tarde, depois de horas de transtornos para passageiros que usaram lanternas de celulares e, em alguns pontos, caminharam por longos trajetos após deixar as estações.
Exclusivo: Governador publica a principal causa do incêndio e caos da CPTM. pic.twitter.com/h1qAU4ZMST
— Nabil Bonduki 🏡 (@NabilBondukiSP) July 23, 2026
Órgãos e concessionária terão de prestar informações
A portaria determina a notificação da Trívia Trens, da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Corpo de Bombeiros, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e Prefeitura de São Paulo também receberam ofícios sobre os impactos das ocorrências.
A promotora registrou que a concessionária acumulou mais de sete falhas operacionais graves em três dias de gestão desde 21 de julho. O documento também cita levantamento que apontou 11 falhas na Linha 11-Coral entre junho e julho, alta de 275% ante o mesmo período do ano anterior, quando a CPTM ainda operava o ramal.
Após a crise, a Artesp determinou que a CPTM reassumisse temporariamente as linhas 11, 12 e 13 por até 90 dias. A Trívia Trens afirmou que conhece a abertura do inquérito e prestará os esclarecimentos solicitados, além de colaborar com as investigações técnicas conduzidas pelos órgãos competentes.
No dia das paralisações, a concessionária afirmou que desligou por segurança a subestação que alimenta a Linha 12-Safira e interrompeu as linhas 11 e 13 até resolver o problema. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) disse que poderá romper a concessão se a empresa não cumprir o contrato: “É inaceitável o que aconteceu no dia de hoje. A gente não vai tolerar”.