O delegado da Polícia Federal e pré-candidato a deputado federal Felício Laterça esteve nesta sexta-feira (3) na Superintendência da Polícia Federal para prestar esclarecimentos após seu nome aparecer em uma lista apreendida durante a Operação Smoke Free, em 2022. Segundo o delegado, foi ele quem denunciou o esquema conhecido como “máfia dos cigarros” e, por isso, defende que a origem da inclusão de seu nome no documento seja investigada.
A lista foi encontrada na residência do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e reunia nomes de políticos e do pastor Márcio Poncio. O documento voltou ao centro das investigações e foi um dos elementos que embasaram a quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na última quinta-feira (2).
De acordo com Laterça, em 2020 ele encaminhou à Polícia Federal um dossiê detalhando a atuação de Adilsinho na Zona Norte do Rio e em Duque de Caxias. Segundo o delegado, o material contribuiu para a deflagração da Operação Smoke Free, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Gaeco do Ministério Público Federal, na qual ele também figura como testemunha.
Embora o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tenha anulado a denúncia apresentada no âmbito da Smoke Free, as investigações da Polícia Federal foram mantidas e evoluíram até a atual fase da Operação Unha e Carne.
A lista foi localizada em 2022 na mesa de cabeceira do quarto de Adilsinho, em um imóvel na Barra da Tijuca. Na ocasião, o contraventor estava fora do país e cancelou seu retorno ao Brasil.
Em entrevista ao jornal O Globo, Felício Laterça afirmou que pretende descobrir quem incluiu seu nome no documento. Segundo ele, a citação pode ter sido feita por terceiros sem autorização ou representar uma retaliação pelas denúncias que apresentou contra organizações criminosas.
Até o momento, não há informação pública de que a inclusão do nome do delegado na lista represente acusação formal ou imputação criminal contra ele. O caso continua sob investigação.