A situação política no Rio de Janeiro acaba de ganhar um novo capítulo com a mudança de discurso do governador interino, Ricardo Couto, sobre sua permanência no cargo. Inicialmente, quando assumiu o comando do estado em março, Couto afirmou que deixaria o governo após a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) eleger um novo presidente para substituir Rodrigo Bacellar, cujo mandato foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquela ocasião, ele entendia que o presidente da Alerj assumiria automaticamente a chefia do Executivo.
No entanto, agora o governador interino defende uma interpretação diferente, argumentando que deve prevalecer quem estava legalmente apto a assumir o governo no momento da vacância dos cargos de governador e vice-governador. Segundo essa visão, alterar o comando do governo meses depois poderia gerar insegurança jurídica e administrativa. Em nota enviada à imprensa, o Governo do Estado do Rio de Janeiro afirmou que Ricardo Couto não mudou de opinião e que está apenas cumprindo a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), aguardando a decisão definitiva sobre o tema.
A disputa envolve diretamente o presidente da Alerj, Douglas Ruas, eleito após Couto já estar no exercício da chefia do Executivo. Ruas apresentou pedidos ao STF para assumir o governo, com base na Constituição estadual, que coloca o presidente da Assembleia à frente do presidente do Tribunal de Justiça na linha sucessória. Os ministros Cristiano Zanin e Luiz Fux negaram os pedidos, mantendo Couto no cargo, mas as decisões não detalharam os fundamentos jurídicos sobre a ordem de sucessão.
O caso deve voltar à pauta do Supremo em agosto, quando os ministros discutirão como será escolhido o governador-tampão, responsável por administrar o estado até o final do atual mandato, em janeiro do próximo ano. Enquanto aguarda a definição do STF, Ricardo Couto continua promovendo mudanças na administração estadual, com mais de 4 mil exonerações de servidores apontados como supostos funcionários fantasmas e uma ampla revisão de contratos firmados na administração anterior.
Essas medidas têm gerado repercussão política, com aliados de Douglas Ruas afirmando que a permanência de Couto prejudica os planos eleitorais do presidente da Alerj, enquanto defensores da atual gestão argumentam que a continuidade garante estabilidade administrativa até que o Supremo conclua o julgamento sobre a sucessão do governo fluminense. Com a decisão ainda pendente no STF, o comando definitivo do Palácio Guanabara permanece indefinido, mantendo aberta uma das principais disputas institucionais da política fluminense em 2026.