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União Europeia impõe suspensão de exportações brasileiras de carne por uso de antibióticos em produção

Expresso Rio
Imagem: Reprodução

A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a suspensão das importações de carnes e derivados do Brasil após apontar falhas no cumprimento de normas sanitárias ligadas ao uso de antibióticos e substâncias antimicrobianas na criação de animais. A medida entra em vigor em 3 de setembro e representa um duro golpe para o agronegócio brasileiro.

A decisão retira oficialmente o Brasil da lista de países autorizados a exportar proteínas animais para o bloco europeu. Com isso, produtos brasileiros como carne bovina, aves, ovos, mel e envoltórios utilizados na fabricação de embutidos deixarão de acessar um dos mercados mais rigorosos do mundo.

Enquanto o Brasil foi excluído, países concorrentes da América Latina, como Argentina, Colômbia e México, permaneceram habilitados por atenderem às exigências sanitárias da União Europeia.

Segundo a Comissão Europeia, o governo brasileiro não apresentou garantias suficientes sobre a interrupção do uso de substâncias antimicrobianas consideradas incompatíveis com as normas sanitárias do continente europeu.

As regras da União Europeia proíbem medicamentos utilizados para acelerar o crescimento animal ou aumentar artificialmente a produtividade na pecuária. Além disso, o bloco veta substâncias reservadas exclusivamente ao tratamento de infecções em seres humanos.

A porta-voz de Saúde da União Europeia, Eva Hrncirova, confirmou que a restrição não se limita apenas às carnes bovinas. A medida também atinge aves, equinos, ovos, mel e outros derivados de origem animal.

A suspensão ocorre em meio às negociações envolvendo o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tema que já enfrenta resistência de produtores rurais europeus, especialmente na França.

Setores agrícolas do continente alegam que produtores sul-americanos possuem vantagens competitivas por operarem sob regras menos rígidas em comparação às exigências ambientais e sanitárias impostas aos agricultores europeus.

O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que os critérios precisam ser iguais para todos os países exportadores. Segundo ele, os produtos importados devem seguir os mesmos padrões de segurança alimentar exigidos dentro da Europa.

A Comissão Europeia informou que aguarda uma resposta técnica oficial do governo brasileiro para avaliar uma possível revisão da decisão futuramente.

Até que o Brasil comprove adequação total às normas sanitárias europeias, o mercado permanecerá fechado para proteínas animais nacionais.

O veto aumenta a pressão sobre o setor produtivo brasileiro, que agora terá de acelerar ajustes nos protocolos de manejo animal e controle sanitário para evitar perdas ainda maiores nas exportações.

Além do impacto financeiro imediato, especialistas avaliam que a medida pode gerar desgaste internacional para a imagem do agronegócio brasileiro em um cenário global cada vez mais rigoroso em relação à segurança alimentar e à rastreabilidade da produção.

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