Os Estados Unidos pediram ao Brasil que zerasse as tarifas de importação sobre bens industriais, químicos, aeroespaciais e automotivos durante as negociações que antecederam a imposição da nova sobretaxa de 25%.
A proposta também envolvia a abertura de setores comerciais brasileiros às empresas estadunidenses. Integrantes do governo Lula consideraram as condições inegociáveis por seu alcance e pelos possíveis efeitos sobre a indústria nacional.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que os Estados Unidos queriam a abertura de todo o mercado químico, a redução a zero das tarifas dos bens industriais e maior acesso ao setor automotivo brasileiro.
Washington também sugeriu que o Brasil limitasse investimentos de atores estrangeiros considerados “não orientados pelo mercado” em minerais críticos e terras raras. A proposta, que não chegou a ser formalizada, foi rejeitada pelo governo brasileiro.
Segundo Elias Rosa, esses recursos pertencem ao povo brasileiro e devem permanecer submetidos às decisões soberanas do país. A exigência foi associada à estratégia estadunidense de restringir a presença chinesa em cadeias consideradas essenciais para a indústria e a segurança.
O novo tarifaço atinge aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, equivalentes a US$ 7,4 bilhões, cerca de R$ 38 bilhões. O governo anunciou reforço ao programa Brasil Soberano para oferecer crédito às empresas afetadas.
O Brasil também prepara a aplicação da Lei da Reciprocidade. A resposta deverá ser calibrada para atingir pontos sensíveis aos Estados Unidos sem elevar custos para setores estratégicos da economia brasileira, com patentes e produtos audiovisuais entre as possibilidades analisadas.