O documento final do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, repete 13 vezes uma expressão que atribui diretamente a Donald Trump as decisões sobre a tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros: “direção específica do presidente”.

A fórmula aparece logo no resumo do texto de 138 páginas. O órgão afirma que, seguindo a determinação presidencial, aplicará a sobretaxa às importações do Brasil, com uma lista de exceções. A cobrança entra em vigor em 22 de julho.

O documento mostra que a influência de Trump não se limitou à abertura da investigação. O presidente definiu a alíquota de 25%, participou da escolha dos produtos poupados e rejeitou alternativas como uma tarifa menor ou a continuidade das negociações sem a imposição de taxas.

Segundo especialistas ouvidos pelo blog de Míriam Leitão, no Globo, referências à orientação presidencial já apareceram em outros processos da Seção 301. No caso brasileiro, porém, chama a atenção a frequência com que as decisões são vinculadas diretamente a Trump, em contraste com investigações redigidas de maneira mais institucional.

O ex-embaixador Roberto Jaguaribe avaliou que a investigação foi conduzida para dar uma aparência técnica e burocrática a uma decisão essencialmente política. Para ele, a estratégia também busca reduzir o risco de uma nova derrota judicial do governo Trump.

Jaguaribe defendeu que o Brasil mantenha a negociação diplomática, mas rejeite uma posição de submissão. Também apontou a necessidade de ampliar relações comerciais com a União Europeia, países asiáticos, Canadá e outros parceiros interessados em maior previsibilidade internacional.