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Banco Master: presidente da Febraban fez empréstimo de R$ 5,5 milhões

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Banco Master: presidente da Febraban fez empréstimo de R$ 5,5 milhões

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, contratou um empréstimo de R$ 5,5 milhões junto ao então Banco Máxima, posteriormente rebatizado de Banco Master, em novembro de 2020. A informação consta em uma planilha de operações de crédito apresentada pelo liquidante da instituição em uma ação judicial que busca bloquear bens supostamente ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e seus familiares.

A existência do financiamento foi revelada pelo Valor Econômico. Embora seu nome apareça na documentação anexada ao processo, Isaac Sidney não é investigado nem figura como alvo da ação judicial.

Em nota, o presidente da Febraban afirmou que a operação foi realizada dentro da legalidade e destacou que tem defendido publicamente a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master e a responsabilização dos envolvidos em eventuais irregularidades.

Documento integra ação contra a família Vorcaro

A planilha faz parte do conjunto de documentos apresentados pelo liquidante do Banco Master à Justiça de São Paulo.

Segundo o processo, o objetivo é identificar e bloquear patrimônio que, de acordo com a liquidação da instituição financeira, teria sido ocultado por familiares de Daniel Vorcaro. O liquidante sustenta que houve um desvio de aproximadamente R$ 2 bilhões do patrimônio do banco e utiliza registros de operações de crédito para fundamentar os pedidos judiciais.

Apesar de aparecer na lista, Isaac Sidney não é apontado como beneficiário de qualquer esquema investigado.

Como foi o empréstimo

De acordo com os documentos, o contrato foi firmado em 26 de novembro de 2020, no valor de R$ 5,5 milhões.

A operação teria vencimento previsto para novembro de 2025, com saldo final superior a R$ 6,1 milhões, considerando os encargos financeiros.

Os autos mostram ainda que o crédito foi posteriormente cedido pelo Banco Master à empresa Urbaniza, pertencente ao empresário Aroldo Rodrigues da Silva.

Segundo o presidente da Febraban, o banco não informou que a operação havia sido transferida à empresa e ele afirma não possuir qualquer relação com a Urbaniza.

O empresário Aroldo Rodrigues aparece em outras apurações relacionadas ao Banco Master.

Segundo reportagens já publicadas, ele manteve diversas operações imobiliárias com Daniel Vorcaro, incluindo negociações investigadas por suspeitas de inflar artificialmente os balanços da instituição financeira.

Entre elas está a venda de um terreno localizado em Jequitibá (MG), declarado como futuro condomínio, em uma transação de aproximadamente R$ 57 milhões. Conforme as investigações, o imóvel havia sido adquirido anteriormente por cerca de R$ 320 mil e não existia condomínio implantado na área.

Essa negociação foi utilizada por Daniel Vorcaro como demonstração de capacidade financeira durante o processo de aquisição do então Banco Máxima, posteriormente transformado em Banco Master.

Cessão de créditos é prática comum

Os documentos apresentados à Justiça mostram que o empréstimo de Isaac Sidney não foi o único crédito posteriormente cedido a empresas e fundos de investimento.

Especialistas explicam que esse tipo de operação é comum no mercado financeiro. Bancos frequentemente vendem suas carteiras de crédito para outras instituições, fundos ou empresas, que passam a receber as parcelas e administrar a cobrança dos contratos.

No entanto, o liquidante sustenta que, no caso do Banco Master, parte dessas cessões teria ocorrido para empresas e fundos supostamente ligados ao próprio grupo controlador da instituição, hipótese que integra as investigações judiciais em andamento.

Defesa de Isaac Sidney

Em manifestação encaminhada à imprensa, Isaac Sidney afirmou que sempre defendeu uma atuação firme das autoridades diante da crise do Banco Master.

Segundo ele, sua posição pública foi favorável à liquidação da instituição financeira pelo Banco Central e à punição rigorosa dos responsáveis por eventuais irregularidades.

O presidente da Febraban também afirmou que o empréstimo foi contratado de forma regular e sugeriu que a divulgação da operação busca atingir sua atuação institucional à frente da entidade que representa o setor bancário.

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