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Posição dos presidenciáveis sobre bets não muda voto de 58% dos brasileiros, diz pesquisa

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Posição dos presidenciáveis sobre bets não muda voto de 58% dos brasileiros, diz pesquisa

A posição dos candidatos sobre as bets não deve alterar o voto da maioria dos brasileiros nas eleições de 2026. Pesquisa da More in Common em parceria com o Ipsos-Ipec mostra que 58% dos entrevistados afirmam que a defesa de restrições às apostas online não aumenta nem diminui a vontade de apoiar um candidato.

O levantamento aponta que 24% teriam mais disposição para votar em um político favorável à limitação das bets, enquanto 12% reagiriam de forma contrária. Outros 7% não souberam responder. O resultado permanece estável nos recortes por idade, renda, escolaridade, religião, raça e intenção de voto.

A pesquisa também mostra que o governo Lula é mais responsabilizado pelo crescimento das apostas do que a gestão de Jair Bolsonaro. Ao todo, 18% culpam o atual governo e 4% apontam o anterior. A maior parte, porém, dilui essa responsabilidade: 33% citam as duas administrações e 35% não responsabilizam nenhuma delas.

O impacto limitado das bets sobre o voto não elimina outra preocupação eleitoral: o crescimento dos mercados de previsão. Plataformas como Polymarket e Kalshi permitem comprar contratos sobre a vitória de candidatos, decisões de governos e outros acontecimentos futuros. Os preços negociados são apresentados como probabilidades, embora não resultem de entrevistas com uma amostra representativa de eleitores.

Esse modelo ganhou enorme projeção na eleição estadunidense de 2024. A disputa entre Donald Trump e Kamala Harris movimentou bilhões de dólares e as cotações passaram a ser reproduzidas por campanhas, investidores, influenciadores e veículos de imprensa como um termômetro da corrida. A vantagem de Trump nesses mercados foi amplificada mesmo quando as pesquisas tradicionais mostravam um cenário mais equilibrado.

Estudos sobre as negociações daquele ano mostram que as cotações reagiram imediatamente ao debate entre Trump e Joe Biden, ao atentado contra o republicano e à desistência do então presidente. Isso indica influência sobre a narrativa eleitoral e sobre a percepção de viabilidade dos candidatos, mas não comprova que os mercados tenham mudado diretamente o voto dos estadunidenses.

O Brasil decidiu reduzir esse espaço antes das eleições de 2026. O governo bloqueou 27 plataformas, incluindo Polymarket e Kalshi, e proibiu contratos financeiros vinculados a resultados políticos, eleitorais, esportivos e culturais. A medida procura impedir que apostas produzidas por grupos de investidores passem a disputar autoridade com pesquisas eleitorais e sejam apresentadas como retrato da vontade dos eleitores.

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