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Sakamoto: Greve da CPTM põe privatizações de trens e água no centro da eleição em SP

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Sakamoto: Greve da CPTM põe privatizações de trens e água no centro da eleição em SP

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

Ficar sem trens enlouquece quem depende do serviço e tem consequências para a logística de toda a região metropolitana. Mas vale se debruçar sobre a greve na CPTM, que acontece hoje e atinge a circulação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e do Expresso Aeroporto, para além dos impactos no trânsito na região metropolitana de São Paulo. Pois o tema vai ser central na eleição para o governo paulista.

Os trabalhadores defendem o cancelamento do contrato de concessão das três linhas à iniciativa privada após o chabu geral de 23 de julho e que a empresa continue a ser gerida pelo poder público. Ou, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, ao menos, a garantia de que o emprego dos ferroviários seja mantido no processo de privatização.

Outras concessionárias de serviços públicos, como a Enel (luz e energia) e a Sabesp (água e esgoto), vêm sendo alvo de críticas por terem, no afã de cortar custos, perdido empregados que carregavam a memória técnica de como manter os sistemas elétrico e de saneamento. Os exemplos são usados pelos ferroviários, que apontam que o mesmo pode acontecer com o transporte de massa sobre trilhos.

As linhas 11, 12 e 13 tiveram a circulação interrompida no último dia 23 por uma falha elétrica na região do Brás. A Trivia Trens, que havia assumido a concessão três dias antes, mas que já acompanhava a gestão do sistema havia tempos, apontou que um possível curto-circuito provocou um incêndio em uma composição da linha 12, levando ao desligamento automático das subestações.

Imagens de passageiros diante de fogo e faíscas circularam nas redes sociais. Três pessoas passaram por atendimento médico, mas muitos enfrentaram momentos de desespero dentro do vagão. E, com os trens parados, outros tantos tiveram que descer e caminhar pelos trilhos até as estações. Imagens aéreas mostraram policiais militares auxiliando pessoas que deveriam estar sob os cuidados da nova concessionária.

Três dias não são suficientes para provar que a concessão fracassou. Mas a empresa teve um bom tempo de transição com a CPTM para aprender como se faz. Vale lembrar que o paulistano já sofre bastante com as falhas e interrupções constantes das linhas privatizadas 9-Esmeralda e 8-Diamante, que pertencem à ViaMobilidade, da Motiva (ex-CCR).

Sob a Enel, eventos climáticos deixaram milhões de pessoas sem energia por dias. Não porque a empresa controle o vento, mas porque manutenção preventiva, equipes experientes e redes mais resistentes custam dinheiro. O Sindicato dos Eletricitários aponta que a companhia reduziu o número de empregados diretos, perdeu memória técnica e ampliou a terceirização. Trabalhadores mais antigos custam mais, mas também conhecem a rede e sabem onde ela costuma falhar.

O mesmo alerta foi feito antes da privatização da Sabesp, ocorrida em 2024. Em maio, uma equipe que trabalhava para a empresa no Jaguaré atingiu uma tubulação de gás. A explosão matou duas pessoas, deixou outras feridas e destruiu imóveis. Segundo o Sintaema, sindicato da categoria, cerca de 40% dos empregados diretos teriam deixado a empresa após a privatização, principalmente por meio de programas de demissão voluntária, com reposição por terceirizados ou funcionários sem a mesma experiência. Não foram as únicas mortes em obras da empresa privatizada, como mostram, por exemplo, os casos de Mairiporã e Mauá.

Logo após o caos do dia 23, a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) exigiu que a estatal reassumisse o serviço por 90 dias. O governo Tarcísio de Freitas, de olho na repercussão eleitoral do chabu nos trens, devolveu temporariamente a gestão das três linhas à CPTM.

A eleição estadual em São Paulo acaba, não raro, nublada pelo pleito nacional. Mas o tema da concessão de serviços públicos e a queda na qualidade deles vão ser explorados pela oposição. Ainda mais em um momento em que grandes cidades da Europa reestatizam seus serviços públicos básicos após terem que escolher entre o lucro dos acionistas e a satisfação da população.

O incumbente tentará vender as privatizações como símbolo de eficiência. Terá de explicar, contudo, por que, sob seu governo, a água explode e o trem pega fogo. Quando a propaganda descarrila, não há marqueteiro capaz de recolocá-la nos trilhos. E o passageiro que caminha pela linha porque o serviço parou também caminha até a urna.

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  • Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
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