A investigação da Polícia Federal identificou que a empresária Roberta Luschinger realizou pagamentos de boletos em nome de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo as apurações, as transações ocorreram durante o segundo semestre de 2024.
Marcola reconheceu ter recebido valores da empresária, mas afirmou que os recursos fazem parte de um empréstimo pessoal. Em nota divulgada anteriormente, ele informou ter devolvido R$ 249 mil, sem esclarecer se esse montante corresponde à totalidade do valor recebido.
Roberta Luschinger é investigada pela Polícia Federal no inquérito que apura suspeitas de fraudes relacionadas ao INSS. Ela também é apontada pelos investigadores como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República.
Investigação aumenta pressão sobre campanha
O caso provocou desconforto entre integrantes do Palácio do Planalto e da campanha à reeleição de Lula. Aliados passaram a defender que Marcola apresente documentos que comprovem o empréstimo e esclareça todos os detalhes da operação financeira.
A avaliação dentro do grupo político é que a rápida explicação do episódio pode evitar desgastes maiores em meio ao cenário eleitoral. O receio é que o assunto ganhe dimensão política e seja explorado pelos adversários.
Nesta quarta-feira, Marcola anunciou sua saída da coordenação da campanha presidencial. A decisão foi tomada após o avanço das investigações e da repercussão envolvendo seu nome.
Marcola diz que colocou sigilos à disposição da Justiça
Em nota, o ex-chefe de gabinete afirmou que disponibilizou seus sigilos bancário e fiscal para demonstrar que a operação envolveu apenas um empréstimo pessoal. Ele negou qualquer irregularidade, mas não informou quando o acordo financeiro foi realizado.
Pessoas próximas afirmam que Marcola optou por deixar a campanha para concentrar seus esforços na própria defesa. Também existe a avaliação de que ele vinha sendo alvo de pressões internas nos bastidores políticos.
Marcola deixou oficialmente o Planalto em julho para integrar a coordenação da campanha de Lula, função semelhante à que exerceu nas eleições de 2022, ao lado do ex-ministro Gilberto Carvalho.
Trajetória ao lado de Lula
Considerado um dos auxiliares mais próximos do presidente, Marcola acompanha Lula há mais de uma década. Ele passou a atuar no Instituto Lula em 2015 e, desde então, participou de momentos considerados estratégicos da trajetória política do petista.
Entre suas funções, coordenou a logística da caravana de Lula pelo Brasil em 2017 e acompanhou o presidente durante o período em que esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, entre 2018 e 2019.
Com a repercussão do caso, a campanha de Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na disputa presidencial, passou a utilizar o episódio como argumento político, buscando associar as investigações sobre as fraudes no INSS ao governo federal. Até o momento, Marcola sustenta que todas as movimentações financeiras ocorreram de forma legal e que pretende comprovar sua versão perante a Justiça.
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