Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) aponta que 47% dos brasileiros acreditam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) influenciou a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O levantamento foi realizado após a visita do parlamentar à Casa Branca, onde ele afirmou ter defendido junto a autoridades norte-americanas o enquadramento das facções brasileiras na legislação antiterrorismo dos Estados Unidos.
Segundo a pesquisa, 37% dos entrevistados avaliam que Flávio Bolsonaro não teve influência na medida adotada pelo governo do presidente Donald Trump. Outros 16% disseram não saber ou preferiram não responder.
A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A decisão dos Estados Unidos de incluir PCC e Comando Vermelho na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) foi anunciada oficialmente pelo Departamento de Estado norte-americano em maio. O governo americano afirmou que as duas facções possuem atuação violenta, estrutura organizada e influência que ultrapassa as fronteiras brasileiras.
A classificação prevê uma série de restrições legais e financeiras, incluindo bloqueio de ativos, proibição de transações financeiras e sanções contra indivíduos ou entidades que prestem apoio material aos grupos.
O tema ganhou repercussão política após a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Durante a agenda, o senador afirmou ter solicitado às autoridades americanas a adoção da medida. Aliados do parlamentar passaram a destacar a classificação como um exemplo de articulação internacional no combate ao crime organizado.
Especialistas apontam que os efeitos da decisão podem ultrapassar a área de segurança pública, alcançando investigações financeiras, cooperação internacional e futuras ações de combate às organizações criminosas transnacionais.
Embora a pesquisa indique que quase metade dos brasileiros associa a medida à atuação de Flávio Bolsonaro, não há confirmação oficial por parte do governo dos Estados Unidos atribuindo a decisão à iniciativa do senador. A classificação foi anunciada pelo Departamento de Estado dentro da política externa e de segurança nacional norte-americana.
A discussão ocorre em meio ao debate sobre estratégias de combate ao crime organizado e sobre o papel da cooperação internacional no enfrentamento das facções criminosas que atuam no Brasil e em outros países da América Latina.