O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o candidato Fernando Haddad (PT) protagonizaram uma troca de acusações durante o primeiro debate da disputa pelo governo paulista, promovido pela Band neste domingo (9). O embate ocorreu durante a discussão sobre o domínio territorial de facções criminosas e a atuação do Estado no combate ao crime organizado.
Tarcísio afirmou que existiria uma cena de Haddad ao lado de uma mulher apontada como liderança do tráfico na Favela do Moinho, na região central da capital paulista. “Temos uma cena (…) do Haddad com a traficante que comandava o tráfico na favela”, declarou o governador durante o confronto.
Haddad reagiu e questionou Tarcísio sobre a acusação. “Que deselegância, rapaz. Você acha que eu conheço o tráfico como você conhece? Se você sabia que ela era uma traficante, por que você não foi lá prender? Se eu soubesse, eu teria dado voz de prisão para ela. Não tenho esse tipo de proximidade com nada do que você está falando. Então, você respeita, abaixa essa bola”, respondeu.
Tarcisio:
“Temos uma cena (…) do Haddad com a traficante que comandava o tráfico na favela”Haddad:
“Acha que eu vou saber quem é do tráfico, como você sabe? Se você sabia que ela era traficante, por que não foi lá prender?” pic.twitter.com/IT0E38pa60— Jéferfon Menezes (@JefinhoMenes) August 10, 2026
Na sequência, o petista apresentou propostas para a segurança pública e defendeu a criação de um Gabinete Institucional de Segurança Pública, presidido diretamente pelo governador. Segundo Haddad, o grupo reuniria Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Estadual e Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
“Para mim, a segurança pública ficou tão séria que ou ela é um assunto do governador, sem terceirizar, ou nós não vamos resolver”, afirmou. Haddad também defendeu maior integração entre os órgãos e disse que o enfrentamento às facções precisa atingir suas estruturas financeiras, citando a Operação Carbono Oculto como exemplo de cooperação para combater esquemas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Em sequência, o candidato criticou uma estratégia baseada apenas em confrontos nas periferias. “Não acho que estamos bem na segurança pública porque está faltando comando. Só a truculência não vai resolver. Ou você combate o andar de cima, asfixia financeiramente o crime organizado, ou nós vamos continuar vendo o Comando Vermelho no Vale do Paraíba e as milícias na Baixada Santista e em Campinas”, declarou.
A discussão sobre segurança ocorreu após outro confronto entre os candidatos no debate, desta vez sobre educação. Haddad criticou a gestão Tarcísio e afirmou que São Paulo caiu da terceira para a décima posição no indicador de qualidade do ensino médio citado por ele, além de registrar 61% das crianças alfabetizadas na idade adequada, contra média nacional de 66%. O petista também questionou o uso de plataformas digitais e afirmou que um terço das escolas estaduais não possui conexão com a banda mínima necessária.
Haddad ainda defendeu maior apoio aos professores e revisão das ferramentas tecnológicas adotadas pelo Estado. Ao criticar as escolhas da atual administração, afirmou que tecnologias mais modernas “foram preteridas pelo estado, que contratou coisa ruim para São Paulo”. Os episódios marcaram uma noite de embates diretos entre Haddad e Tarcísio no primeiro encontro televisivo da disputa estadual.