A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República voltou a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar impedir a validade de uma pesquisa da AtlasIntel que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente na disputa . A ação também abre caminho para outro questionamento contra a pesquisa da Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), ampliando a ofensiva do PL contra levantamentos eleitorais.
A representação do PL terá como relator no TSE o ministro André Mendonça. O partido contesta a pesquisa Atlas/Bloomberg registrada sob o número BR-04582/2026 alegando que o levantamento apresenta “vícios de auditabilidade e confiabilidade” por suposta ausência de documentos e informações estatísticas exigidas pela legislação eleitoral.
Entre os pontos questionados estão a falta de identificação dos municípios e áreas pesquisadas, a distribuição dos entrevistados por região e dados sobre gênero, idade, escolaridade e nível econômico da amostra. Para a legenda, a ausência dessas informações impede a verificação da metodologia utilizada.
A pesquisa divulgada em 1º de julho apontou Lula com 48,8% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 42,3% de Flávio Bolsonaro.
AtlasIntel rebate acusações
Em nota, a AtlasIntel afirmou que todos os documentos exigidos pela Justiça Eleitoral foram enviados dentro do prazo legal e atribuiu o problema a uma falha técnica no sistema do próprio TSE.
O CEO da empresa, Andrei Roman, declarou nas redes sociais que o arquivo com o detalhamento geográfico dos municípios e bairros foi corretamente anexado e que o questionamento do PL estaria baseado em um erro da plataforma do tribunal.
A empresa também afirmou que não pretende alterar sua metodologia por pressões políticas, econômicas ou judiciais.
Pré-campanha mantém críticas
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro contestou a versão apresentada pelo instituto e afirmou que não houve comprovação de que os documentos tenham sido efetivamente disponibilizados dentro do prazo legal.
Segundo a pré-campanha, a ausência das informações compromete a transparência da pesquisa e impossibilita a fiscalização por parte da Justiça Eleitoral, dos partidos e da sociedade.
Quaest também pode ser alvo
Além da AtlasIntel, os advogados da pré-campanha analisam contestar a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15). Segundo integrantes da equipe, o levantamento também não teria disponibilizado toda a documentação necessária no sistema do TSE.
A pesquisa da Quaest mostrou Lula ampliando a vantagem sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 45% das intenções de voto contra 37%.
A legislação eleitoral permite que parte da documentação técnica seja apresentada em prazo posterior ao registro da pesquisa, conforme as regras estabelecidas pelo TSE.
PL defende mudanças nas regras
O Partido Liberal também pediu ao TSE que endureça os critérios para divulgação de pesquisas eleitorais. A legenda defende que os levantamentos só possam ser publicados após a disponibilização completa de toda a documentação exigida por lei, permitindo auditoria prévia por partidos, candidatos, Ministério Público e Justiça Eleitoral.
Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro voltou a criticar a pesquisa da Quaest e elogiou a proposta do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, de criar um “selo de acurácia eleitoral” para os institutos que apresentarem maior índice de acerto nas eleições. A proposta, no entanto, tem sido alvo de críticas de especialistas e de empresas do setor.