A Defensoria Pública do Distrito Federal acionou o Ministério da Educação após identificar, em um curso destinado a professores da rede pública, uma questão que apresentava apostas entre estudantes como estratégia de ensino de matemática financeira. O material fazia parte do curso “Mais Ensino Médio”, oferecido pela plataforma Avamec. Com informações de Andreza Matais, do Metrópoles.
A alternativa indicada como correta propunha incentivar alunos a apostar valores simbólicos entre si em sala de aula para tornar o conteúdo “prático e divertido”. Segundo a Defensoria, a formulação normaliza uma atividade proibida para menores e contraria o objetivo declarado da própria questão, que dizia buscar a proteção dos estudantes contra dependência e endividamento.
O Núcleo de Defesa do Consumidor pediu a retirada imediata do material, a identificação dos responsáveis por sua elaboração e a abertura de procedimento administrativo. Os defensores também querem que o MEC avalie se o conteúdo é compatível com o Estatuto da Criança e do Adolescente.
A representação destaca que a expansão das bets tem sido acompanhada por publicidade massiva e efeitos mais intensos sobre famílias vulneráveis. De acordo com dados citados pelo órgão, 17% dos brasileiros apostaram no último ano, 7% apresentam comportamento de risco ou problemático e mais de 10% dos adolescentes de 14 a 17 anos já tiveram contato com apostas.
O MEC afirmou que a questão tinha o objetivo de explicar aos professores o funcionamento das bets para que o tema fosse usado em educação financeira e na prevenção de danos. A pasta, porém, desabilitou o curso enquanto apura a elaboração e a validação do conteúdo.