A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como ‘Tuca’, contava com o aval do presidente da Casa, Hugo Motta, para atuar na indicação de emendas parlamentares em benefício do ex-deputado Eduardo Cunha, que atualmente não exerce mandato eletivo.
A informação consta em representação encaminhada ao ministro Flávio Dino, relator da investigação sobre supostos desvios de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. Segundo a corporação, as provas reunidas apontam que a atuação da servidora ocorria com conhecimento da presidência da Câmara.
Procurado, Hugo Motta ainda não se pronunciou sobre as novas conclusões da investigação. No sábado (12), o presidente da Câmara afirmou que a operação envolvendo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, representaria uma tentativa de criminalizar a atividade política.
PF aponta atuação coordenada em favor de Cunha
De acordo com a Polícia Federal, conversas interceptadas e documentos analisados indicam que Mariângela Fialek atuava sob orientação da presidência da Câmara para promover o direcionamento de emendas parlamentares em favor de Eduardo Cunha.
Os investigadores afirmam que as evidências revelam um elevado grau de influência do ex-presidente da Câmara sobre a distribuição dos recursos públicos, mesmo sem ocupar qualquer cargo eletivo.
No relatório, a PF sustenta que Cunha exercia funções equivalentes, ou até superiores, às de parlamentares em exercício, interferindo diretamente na destinação de verbas federais sem possuir competência institucional para isso.
Investigação cita desvio de finalidade nas emendas
Para a Polícia Federal, o conjunto das provas demonstra um possível desvio da finalidade das emendas parlamentares, instrumento criado para atender demandas apresentadas por representantes eleitos.
Segundo os investigadores, o direcionamento dos recursos teria ocorrido por meio de uma estrutura informal comandada por alguém sem mandato, comprometendo os princípios de transparência e controle sobre a aplicação do dinheiro público.
A corporação informou ainda que identificou pelo menos 21 emendas parlamentares relacionadas ao caso. Todas foram empenhadas no fim de 2025, período em que Hugo Motta já ocupava a presidência da Câmara dos Deputados.
Flávio Dino determinou bloqueio de bens
Na decisão assinada em 6 de julho, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha no âmbito da investigação sobre supostos desvios de emendas da Comissão de Saúde da Câmara.
O magistrado também suspendeu a execução das despesas públicas vinculadas às emendas sob investigação. Em seu despacho, destacou que as mensagens e planilhas apreendidas indicam que Cunha teria atuado no redirecionamento de recursos públicos, inclusive em benefício de sua anunciada candidatura a deputado federal por Minas Gerais.
Ao comentar a investigação envolvendo Valdemar Costa Neto, Hugo Motta criticou a atuação da Polícia Federal e afirmou que há uma tentativa de criminalizar a política. Já Flávio Dino ressaltou que a ausência de mecanismos de rastreabilidade dos recursos públicos pode indicar a prática de crimes como peculato ou desvio de verbas, embora nem toda irregularidade administrativa configure, por si só, ilícito penal.
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