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Em Ceuta, pedro Sánchez é atacado por EUA, Israel e extrema-direita europeia por crise migratória

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Em Ceuta, pedro Sánchez é atacado por EUA, Israel e extrema-direita europeia por crise migratória

A maior crise migratória da história de Ceuta transformou-se em uma disputa geopolítica envolvendo Espanha, Estados Unidos, Israel e Marrocos. Enquanto o governo espanhol tenta conter a entrada de dezenas de milhares de migrantes vindos do território marroquino, a Casa Branca, autoridades israelenses e líderes da extrema direita europeia intensificaram os ataques contra o primeiro-ministro Pedro Sánchez.

O episódio ocorre no momento de maior desgaste das relações entre Madri e Tel Aviv desde o início da guerra em Gaza e em meio ao fortalecimento da aliança estratégica entre Washington, Rabat e Israel.

Casa Branca responsabiliza Sánchez

O governo Donald Trump atribuiu a crise diretamente à política migratória do governo espanhol.

Em resposta ao canal ABC, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que Trump vem alertando há anos sobre os riscos das políticas “globalistas de extrema esquerda”.

“O presidente Trump vem alertando a Europa há muito tempo sobre as consequências de continuar perseguindo políticas globalistas de extrema esquerda, como facilitar a migração em massa.”

Kelly foi além e fez um alerta direto ao governo espanhol.

“A Espanha e outros países que adotaram essa filosofia destrutiva devem mudar de rumo imediatamente ou colocarão em risco a própria sobrevivência.”

A declaração representa uma das críticas mais duras já feitas oficialmente pela Casa Branca ao governo de Pedro Sánchez.

Spain’s North African enclave of Ceuta is facing a humanitarian and security emergency after about 1,500 migrants swam across from Morocco in the past week.

Ceuta’s leader, Juan Jesus Vivas, said reception centers are overwhelmed, with hundreds sleeping outdoors and facilities… pic.twitter.com/g0gySeOkAt

— Clash Report (@clashreport) July 30, 2026

Maior crise migratória já registrada

Segundo o Ministério do Interior da Espanha, cerca de 49 mil migrantes conseguiram entrar em Ceuta em poucos dias, a maioria por terra, enquanto milhares de outros tentaram atravessar o mar a nado.

As autoridades confirmaram a recuperação de 24 corpos no mar.

A Guarda Civil reconheceu que a operação ultrapassou sua capacidade operacional.

Diante da situação, Madri anunciou o envio de unidades militares para reforçar a segurança na cidade autônoma.

O governo regional de Ceuta também pediu ao Executivo espanhol o fechamento da fronteira e a decretação de emergência nacional.

Pedro Sánchez, no entanto, afirmou que a crise foi impulsionada por redes criminosas de tráfico de pessoas que divulgaram interpretações equivocadas de uma decisão do Supremo Tribunal espanhol para incentivar a travessia em massa.

Segundo o premiê, antes da crise a Espanha vinha registrando redução superior a 30% na imigração irregular.

Israel aproveita a crise para atacar Madri

Em paralelo, o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, ironizou o governo espanhol nas redes sociais.

“A Espanha, que nunca perde uma oportunidade de dar lições a Israel, declarou estado de emergência em Ceuta por causa de sua política migratória”, escreveu.

Danon acrescentou que Madri deveria explicar ao mundo “por que ainda mantém enclaves coloniais na África”.

Mis felicitaciones al Presidente del Gobierno de España, Pedro Sánchez, por su profundo compromiso con la acogida de la inmigración y la “diversidad humana”.
Como alguien que demuestra una gran preocupación por Hamás y los residentes de Gaza, le llamo a traducir las palabras en…

— איתמר בן גביר (@itamarbengvir) July 31, 2026

Horas depois, o governo espanhol esclareceu que nenhum estado de emergência nacional havia sido decretado, já que a legislação do país não prevê fluxos migratórios como hipótese para essa medida.

As declarações refletem o agravamento da crise diplomática entre Espanha e Israel.

Desde o início da guerra em Gaza, Pedro Sánchez tornou-se um dos líderes europeus mais críticos da ofensiva israelense, reconhecendo oficialmente o Estado da Palestina e suspendendo exportações de armas para Israel.

He threatened Spain a couple of months ago.

Looks like he delivered.. pic.twitter.com/OYgX3nFXDo

— Abier (@abierkhatib) July 31, 2026

Marco Rubio reforça aproximação com Marrocos

As críticas da Casa Branca coincidiram com o Dia do Trono, principal celebração institucional da monarquia marroquina.

Poucas horas antes, o secretário de Estado Marco Rubio divulgou uma mensagem elogiando o rei Mohammed VI e reafirmando a parceria estratégica entre Washington e Rabat.

Rubio destacou que Estados Unidos e Marrocos mantêm uma relação diplomática de quase 250 anos e reiterou um dos pilares da política externa de Trump:

“Sob a liderança do presidente Trump, os Estados Unidos reconhecem de forma inequívoca a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental.”

O reconhecimento rompeu décadas da política americana quando foi anunciado por Trump em 2020.

Em troca, Marrocos normalizou relações com Israel por meio dos Acordos de Abraão.

Uma aliança cada vez mais estreita

Nos últimos anos, Rabat tornou-se um dos principais parceiros estratégicos dos Estados Unidos e de Israel no norte da África.

A cooperação inclui:

  • aquisição de armamentos israelenses;
  • sistemas antimísseis;
  • drones;
  • inteligência militar;
  • segurança marítima;
  • cooperação no Sahel.

Israel tornou-se um dos principais fornecedores militares do reino marroquino, enquanto Washington mantém apoio político às reivindicações de Rabat sobre o Saara Ocidental.

Gibraltar e o novo tabuleiro geopolítico

O fortalecimento dessa parceria também desperta atenção pelo impacto sobre o Estreito de Gibraltar, rota por onde passa cerca de 10% do comércio marítimo mundial.

Analistas observam que Marrocos vem ampliando rapidamente sua capacidade militar e logística na região, ao mesmo tempo em que aprofunda sua cooperação estratégica com Israel e Estados Unidos.

Também surgiram discussões sobre a possibilidade de maior protagonismo militar marroquino no Mediterrâneo e no Atlântico.

Lo que ha sucedido es un ataque a la integridad territorial de España y merece nuestra más rotunda y enérgica condena.

Toda España está con la ciudadanía de Ceuta. El Gobierno de España está con la Ciudad Autónoma.

Gracias por la cooperación que siempre hemos mantenido con el… pic.twitter.com/ZqKdUdu7Oy

— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) July 31, 2026

Trump ganha estrada no Saara Ocidental

Outro gesto simbólico reforçou a aproximação entre Washington e Rabat.

Trump anunciou que a rodovia de mais de mil quilômetros que liga Tiznit a Dakhla, atravessando grande parte do Saara Ocidental administrado por Marrocos, receberá seu nome.

O projeto integra a estratégia do rei Mohammed VI para consolidar a integração econômica do território disputado, conectando-o à Mauritânia e à África Ocidental.

O corredor também faz parte da ambição marroquina de transformar Dakhla em um dos principais polos logísticos do Atlântico.

Copa do Mundo de 2030 entra no contexto

A aproximação entre Washington e Rabat coincide ainda com a candidatura marroquina para sediar a final da Copa do Mundo de 2030.

Marrocos disputa com Madri o direito de receber a decisão do torneio em um estádio para mais de 100 mil espectadores próximo a Casablanca.

O projeto é tratado pelo governo marroquino como instrumento de projeção internacional e fortalecimento diplomático.

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