Mais de 37 mil imigrantes retornaram a Marrocos depois de entrar de forma irregular em Ceuta, cidade autônoma espanhola no norte da África. O fluxo de volta ocorre após cerca de 50 mil pessoas cruzarem a fronteira, em uma crise que já deixou ao menos 24 mortos, segundo autoridades espanholas.
As saídas acontecem em ritmo acelerado, com centenas de pessoas deixando Ceuta em poucos minutos. A maior parte do grupo é formada por jovens que passaram a noite ao relento e desistiram de permanecer na Espanha ao concluir que não conseguiriam regularizar a situação.
Muitos imigrantes decidiram voltar por conta própria, sem aguardar uma ação oficial. Parte das pessoas que tentou chegar a Ceuta se concentrou em Fnideq, também conhecida como Castillejos, no lado marroquino da fronteira.
Exaustos e com roupas molhadas, eles buscam ônibus, caminhões, táxis compartilhados e carros particulares para viajar até Tânger e, de lá, seguir para suas cidades de origem.
‼️ [ 🇪🇸 ESPAGNE | 🇲🇦 MAROC ]
🔸 Le président du gouvernement de Ceuta affirme que près de 60.000 migrants ont franchi la frontière entre le Maroc et l’enclave espagnole ces derniers jours, soit l’équivalent d’environ 70 % de la population locale.
Les arrivées, composées… pic.twitter.com/xJaqh2aFBO
— Little Think Tank (@L_ThinkTank) July 31, 2026
Apesar dos retornos, grupos ainda tentam entrar em Ceuta pela costa e pelo quebra-mar, inclusive a nado. A agência EFE relatou que forças marroquinas não impediram parte dessas travessias.
Confrontos continuaram em áreas próximas à estrada que leva a Ceuta e dificultaram o acesso à fronteira. A polícia marroquina usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar grupos de jovens.
A região amanheceu com pedras espalhadas, veículos incendiados e lixo nas ruas. Em Castillejos, comerciantes mantiveram estabelecimentos fechados diante do temor de vandalismo. “Estamos mantendo nossos comércios fechados por medo de vandalismo e violência que possam surgir devido à tensão”, disse um lojista do centro da cidade à EFE.
Um jovem de 25 anos, morador de Tetuão, relatou frustração ao deixar a região. “Não há nada para fazermos aqui, tanta coisa para fazer sem propósito”, afirmou à agência.
O reforço da Guarda Civil e de militares espanhóis reduziu as novas entradas em relação ao pico registrado na quinta-feira. A dimensão do episódio pode superar a crise de 2021, quando 10 mil pessoas entraram em Ceuta.