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A influência dos EUA e da extrema-direita na crise migratória da Espanha

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A influência dos EUA e da extrema-direita na crise migratória da Espanha

A crise migratória em Ceuta, cidade autônoma espanhola no norte da África, tornou-se instrumento de pressão contra o governo de Pedro Sánchez. Enquanto Madri tenta conter a entrada de dezenas de milhares de pessoas, Estados Unidos, Israel e a extrema-direita europeia usam o episódio para defender fronteiras mais fechadas, atacar a Espanha e fortalecer a aliança com Rabat, capital do Marrocos.

Segundo o Ministério do Interior espanhol, cerca de 60 mil migrantes atravessaram a fronteira, enquanto milhares tentaram chegar ao enclave pelo mar. As autoridades confirmaram dezenas de mortes, e a Guarda Civil admitiu que a operação superou sua capacidade. Madri enviou militares e acelerou devoluções.

Em maio, Washington aprofundou a aproximação com o Marrocos, aumentando a desconfiança sobre o papel dos Estados Unidos na atual crise vivida pela Espanha.

Na ocasião, Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, elogiou o rei Mohammed VI e reiterou: “Sob a liderança do presidente Trump, os Estados Unidos reconhecem de forma inequívoca a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental”. Em troca desse reconhecimento, anunciado em 2020, Rabat normalizou relações com Israel nos Acordos de Abraão.

A parceria inclui armas, drones e inteligência militar, além de ampliar a influência marroquina no Estreito de Gibraltar.

ESTO ES MUY GRAVE. Me llegan estas imágenes de cómo las autoridades marroquíes vacían camiones llenos de jóvenes cerca de la frontera con Ceuta.

Quien no quiera ver que se trata de una operación perfectamente preparada por el régimen, es que es ciego. pic.twitter.com/YpxFAaF7Wb

— Taleb Alisalem (@TalebSahara) July 30, 2026

A movimentação chegou ao Congresso estadunidense. Um relatório do Comitê de Apropriações da Câmara afirmou que as duas cidades estão “em território marroquino” e “sob administração espanhola”, além de incentivar Rubio a mediar seu futuro.

O texto, exposto por Juan Carlos Sanz no El País, abre espaço para uma negociação diplomática sobre o estatuto das duas cidades.

O documento foi subscrito pelo republicano Mario Díaz-Balart, integrante do grupo parlamentar pró-Marrocos. Ele já havia declarado: “Ceuta e Melilla estão em território marroquino. A realidade é que não estão em território espanhol, e esse tipo de coisa é negociado e discutido entre amigos e aliados”.

O chanceler José Manuel Albares respondeu: “A condição espanhola de Ceuta e Melilla, assim como a de Valladolid e de Santiago de Compostela, está fora de qualquer dúvida”.

INSANE FOOTAGE: Thousands of migrants continue crossing from Morocco into Spain’s Ceuta enclave, as local officials reportedly urge Madrid to declare a national emergency. pic.twitter.com/dlbbKOjBV1

— Breaking911 (@Breaking911) July 30, 2026

Olhares contra a Espanha

A pressão também cresceu na Europa. A ministra do Interior da Finlândia, Mari Rantanen, apoiou a exclusão da Espanha do Espaço Schengen e acusou o país de ter “fracassado completamente” na proteção da fronteira externa.

Rantanen chamou o episódio de “invasão migratória” e afirmou: “A Espanha deve fazer a sua parte ou não poderá continuar fazendo parte do Espaço Schengen”. A medida restabeleceria controles nas fronteiras espanholas e restringiria a livre circulação.

🇪🇸🇲🇦 | URGENTE: La Guardia Civil española eleva a 40.000 la estimación de inmigrantes marroquíes que han asaltado Ceuta durante este jueves. pic.twitter.com/nQinq3FCAu

— Alerta News 24 (@AlertaNews24) July 30, 2026

Pedro Sánchez classificou a entrada em massa como um “ataque” e uma “violação da integridade territorial da Espanha”.

O premiê afirmou que redes de tráfico de pessoas estimularam as travessias com informações falsas sobre uma decisão do Supremo Tribunal espanhol. Segundo ele, antes da crise, o país registrava queda superior a 30% na imigração irregular.

Lo que ha sucedido es un ataque a la integridad territorial de España y merece nuestra más rotunda y enérgica condena.

Toda España está con la ciudadanía de Ceuta. El Gobierno de España está con la Ciudad Autónoma.

Gracias por la cooperación que siempre hemos mantenido con el… pic.twitter.com/ZqKdUdu7Oy

— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) July 31, 2026

Donald Trump afirmou à Fox News que as imagens de Ceuta deveriam servir de alerta aos Estados Unidos para a eleição de 2028. “É terrível. Lembrem-se dessa imagem. Assim estaremos nós daqui a três anos se o lado errado vencer”, declarou. Ele também disse que os estadunidenses “não viverão muito bem” caso os democratas retornem ao poder.

A Casa Branca responsabilizou Sánchez. A porta-voz Anna Kelly afirmou: “O presidente Trump vem alertando a Europa há muito tempo sobre as consequências de continuar perseguindo políticas globalistas de extrema esquerda, como facilitar a migração em massa”.

Depois, acrescentou: “A Espanha e outros países que adotaram essa filosofia destrutiva devem mudar de rumo imediatamente ou colocarão em risco a própria sobrevivência”.

Ao apresentar Ceuta como imagem do futuro dos Estados Unidos sob um governo democrata, Trump transforma uma crise humanitária em propaganda eleitoral. O discurso associa imigração a desordem e ameaça nacional.

Israel também aproveitou o episódio para atacar Madri. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, escreveu: “A Espanha, que nunca perde uma oportunidade de dar lições a Israel, declarou estado de emergência em Ceuta por causa de sua política migratória”.

Em seguida, afirmou que o país deveria explicar “por que ainda mantém enclaves coloniais na África”. O governo espanhol esclareceu que nenhum estado de emergência nacional havia sido decretado.

A ofensiva ocorre no pior momento das relações entre Espanha e Israel desde o início da guerra em Gaza. Sánchez reconheceu o Estado da Palestina e suspendeu exportações de armas para Israel, abrindo espaço para uma retaliação política de Tel Aviv.

Mis felicitaciones al Presidente del Gobierno de España, Pedro Sánchez, por su profundo compromiso con la acogida de la inmigración y la “diversidad humana”.
Como alguien que demuestra una gran preocupación por Hamás y los residentes de Gaza, le llamo a traducir las palabras en…

— איתמר בן גביר (@itamarbengvir) July 31, 2026

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