O jornalista Oswaldo Eustáquio abrigou por seis meses, na Espanha, Apolo Carvalho da Silva, de 28 anos, réu por incitação ao crime e associação criminosa em processo ligado ao 8 de Janeiro. Apolo rompeu a tornozeleira eletrônica em junho de 2024, deixou o Brasil e passou a ser alvo de mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Eustáquio disse que orientou Apolo a iniciar o pedido de asilo político no país europeu. “Mostrei a ele os caminhos para pedir asilo político. Hoje, ele está sob proteção internacional do Reino da Espanha, que, por meio da Audiência Nacional, decidiu por unanimidade que aquilo que o Brasil considera crime aqui é liberdade de expressão”, afirmou o jornalista.
Após romper o equipamento de monitoramento em 10 de junho de 2024, Apolo seguiu para a Argentina e depois passou por Peru e Colômbia. Ele atravessou a selva do Darién, entre a Colômbia e o Panamá, antes de chegar ao México.
Investigadores apontam que Apolo registrou um boletim de ocorrência falso na Cidade do México, ao alegar que havia perdido o passaporte durante uma viagem como turista. Com o documento, ele solicitou um novo passaporte no consulado brasileiro e embarcou para a Espanha, onde está desde dezembro de 2025.
Passaporte emitido no México e novo mandado de prisão
Apolo permaneceu no estado mexicano de Querétaro entre janeiro e dezembro de 2025. Ele compareceu ao Consulado do Brasil no México em setembro daquele ano e recebeu o novo passaporte no dia 29.
s diplomáticas, funcionários consulares e adidos da Polícia Federal no México não identificaram restrições contra Apolo antes da emissão do documento. O passaporte acabou cancelado em janeiro deste ano.
Moraes restabeleceu a prisão preventiva do réu e mandou bloquear contas bancárias, investimentos, criptomoedas, planos de previdência privada, imóveis, veículos e outros bens ligados a ele. “Não resta alternativa diferente do restabelecimento da prisão preventiva”, escreveu o ministro.
O primeiro mandado de prisão contra Apolo perdeu a validade em maio deste ano, embora ele tivesse deixado o país com a ordem em aberto. Moraes expediu um novo mandado e justificou o bloqueio patrimonial como medida para assegurar a persecução penal.