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Cerca de 60 mil migrantes cruzam fronteira de Ceuta, e Espanha reforça segurança

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Cerca de 60 mil migrantes cruzam fronteira de Ceuta, e Espanha reforça segurança

Cerca de 60 mil migrantes cruzaram nos últimos dias a fronteira entre o Marrocos e Ceuta, território espanhol no norte da África, levando Espanha e Marrocos a reforçarem a segurança nesta sexta-feira (31). O governo local informou que ao menos 34 corpos foram encontrados após as travessias por terra e mar.

Juan Jesús Vivas, líder de Ceuta, disse que o total equivale a mais de 70% dos cerca de 85 mil habitantes do território. O ministro do Interior espanhol estimou que 25 mil migrantes retornaram voluntariamente ao Marrocos na manhã de sexta.

O Departamento de Segurança Nacional da Espanha havia divulgado que mais de 49 mil pessoas cruzaram ilegalmente a fronteira em 24 horas, com base em dados do Ministério do Interior. O órgão retirou a informação de seu site mais tarde, sem explicar a mudança.

Autoridades marroquinas usaram caminhões com canhões de água nos portões de Ceuta para dispersar a multidão. Próximo à fronteira, havia os restos carbonizados de um ônibus e de sete carros após confrontos.

🇪🇸🇲🇦 | URGENTE: La Guardia Civil española eleva a 40.000 la estimación de inmigrantes marroquíes que han asaltado Ceuta durante este jueves. pic.twitter.com/nQinq3FCAu

— Alerta News 24 (@AlertaNews24) July 30, 2026

Europa reage à travessia em massa em Ceuta

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, visitou Ceuta com o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, e classificou o episódio como “um ataque, uma violação” do território nacional. Ele afirmou que o governo espanhol está ao lado dos moradores da cidade.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que a União Europeia mantém contato com as autoridades marroquinas. Ela classificou as cenas em Ceuta como “inaceitáveis” e disse que ninguém pode entrar no bloco sem respeitar suas regras.

Ceuta e Melilla são as únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e a África. As duas cidades autônomas espanholas no norte do Marrocos enfrentam tentativas periódicas de travessia, mas as autoridades apontaram que a dimensão do fluxo desta semana não tinha precedentes.

O ministro espanhol da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, citou uma decisão recente do Supremo Tribunal que impede a devolução imediata de migrantes que chegam por mar como possível fator para o aumento das tentativas. Sánchez atribuiu a onda a boatos espalhados por máfias de tráfico de pessoas sobre a decisão judicial.

Na cidade marroquina de Fnideq, milhares de pessoas buscaram rotas alternativas ao longo da costa depois do reforço da vigilância. Entre elas havia mulheres, crianças, marroquinos e migrantes de países da África Subsaariana; alguns se preparavam para nadar.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que poderá adotar “medidas extraordinárias”, incluindo a suspensão do Espaço Schengen com a Espanha. O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, chamou de “inapropriada” uma crítica do chanceler italiano Antonio Tajani e anunciou que convocará o embaixador da Itália para protestar.

A França informou que reforçará as verificações em sua fronteira com a Espanha e disse estar pronta para ajudar por meio da agência europeia de fronteiras Frontex. O Reino Unido também ofereceu apoio ao governo espanhol diante da crise.

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