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Nísia Trindade diz que nova pandemia vai acontecer e cobra preparo do Brasil

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Nísia Trindade diz que nova pandemia vai acontecer e cobra preparo do Brasil

A cientista social e ex-ministra da Saúde do Brasil, Nísia Trindade, afirmou que uma nova pandemia vai ocorrer e defendeu que o Brasil amplie a preparação para emergências sanitárias. Primeira mulher a comandar a Fiocruz e o Ministério da Saúde, ela avaliou que o país avançou desde a Covid-19, mas ainda não alcançou o nível necessário de prevenção e resposta.

“Fala-se, com muita frequência, que ocorrerá uma nova pandemia, a questão é quando. Então o preparo é fundamental para todos os países. Avançamos em muitas áreas, mas ainda é insuficiente para o necessário esforço de prevenção, preparação e resposta”, disse Nísia em entrevista ao jornal O Globo.

A socióloga, pesquisadora emérita da Fiocruz, trata do enfrentamento à Covid-19 no livro “Ainda Há Tempo”, publicado pela Civilização Brasileira. Ela também inaugura a exposição “Vida Reinventada”, no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro, dedicada aos impactos da crise sanitária.

Nísia afirma que a memória da pandemia é indispensável para orientar políticas públicas. Ela cita as 715 mil mortes por Covid-19 no Brasil e sustenta que o governo federal não adotou adequadamente ações de proteção à sociedade durante a emergência sanitária.

Preparação do Brasil e acordo global sobre pandemias

A ex-ministra também relaciona o risco de novas pandemias a fatores socioambientais. Na avaliação dela, circulação de pessoas e mercadorias, desmatamento e aquecimento global interferem no avanço de doenças infecciosas, e a dengue passou a atingir áreas subtropicais onde epidemias desse tipo não ocorriam.

Sobre a estrutura brasileira, Nísia citou a criação de um memorial da Covid-19 no Rio de Janeiro e ações de preparação para futuras emergências. Ela mencionou investimentos em vigilância do sistema de saúde, no Programa Nacional de Imunizações e no Complexo Econômico e Industrial da Saúde, após a pandemia expor a dependência do país em vacinas, respiradores e máscaras.

Uma avaliação da Organização Mundial da Saúde apontou avanços no Brasil, mas também cobrou atenção a vulnerabilidades das mulheres, integração de dados e outros pontos críticos. Nísia destacou ainda o desenvolvimento do primeiro laboratório NB4 do país, no CNPEM, em Campinas, em parceria entre os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Saúde, para apoiar a vigilância em situações de alta gravidade epidemiológica.

No cenário global, Nísia disse que o Acordo de Pandemias foi aprovado, mas ainda mantém pendente a parte sobre compartilhamento de informações e benefícios, necessária para garantir acesso a tratamentos e alertas sobre novos vírus. Ela lembrou que, em setembro de 2021, dez países concentravam 75% das doses de vacinas aplicadas e classificou o negacionismo científico como “um projeto”, citando a indicação de cloroquina contra a Covid-19 quando sua ineficácia já era conhecida.

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