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Correios da Primeiro de Março vai a leilão no dia 30 de julho para amenizar prejuízos milionários

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Correios da Primeiro de Março vai a leilão no dia 30 de julho para amenizar prejuízos milionários

O Governo Federal colocou à venda um dos imóveis mais emblemáticos da história das comunicações brasileiras. A antiga sede nacional dos Correios, localizada na Rua Primeiro de Março, no Centro do Rio de Janeiro, será leiloada no próximo dia 30 de julho com lance mínimo de R$ 47,8 milhões. A decisão ocorre em meio à crise financeira da estatal, que acumula sucessivos prejuízos bilionários nos últimos anos.

Construído em 1878, durante o reinado de Dom Pedro II, o edifício ocupa quase 10 mil metros quadrados e um quarteirão inteiro no Centro Histórico do Rio. O imóvel é considerado um dos principais símbolos arquitetônicos dos Correios e integra o conjunto tombado da região da Praça XV.

Venda ocorre após prejuízos bilionários

Segundo as informações do edital, a venda acontece em um momento delicado para os Correios. Após registrar lucro entre 2019 e 2021, a empresa voltou a apresentar resultados negativos em 2022. Em 2024, o prejuízo chegou a cerca de R$ 2,45 bilhões e, em 2025, saltou para aproximadamente R$ 8,46 bilhões.

O valor inicial do imóvel foi fixado em R$ 53,6 milhões, mas poderá cair para R$ 47,8 milhões caso seja necessário chegar à terceira rodada do leilão. O futuro comprador também assumirá custos relacionados à regularização registral e às divergências cadastrais apontadas no edital.

Patrimônio histórico terá regras de preservação

Mesmo com a venda, o prédio continuará sujeito às normas de preservação do patrimônio histórico. Qualquer reforma, retrofit ou mudança de uso dependerá da autorização dos órgãos responsáveis, que exigirão a manutenção das características arquitetônicas do edifício.

Especialistas veem riscos e oportunidades

A venda reacendeu o debate sobre o futuro dos imóveis históricos. Para especialistas, a iniciativa privada pode garantir investimentos e um novo uso para o prédio, desde que sejam preservados seus elementos arquitetônicos e sua importância histórica. Outros alertam para o risco de perda da memória institucional dos Correios, já que o edifício esteve ligado à estatal por quase um século e meio.

Um símbolo do Brasil Imperial

Inaugurado em 1878, o edifício foi o primeiro grande imóvel brasileiro construído especificamente para concentrar os serviços postais do país. Ao longo de quase 150 anos, acompanhou a Monarquia, a República, a criação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e as transformações urbanas do Centro do Rio. Agora, pela primeira vez desde o Império, poderá deixar de pertencer à instituição para a qual foi projetado.

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