Documentos apresentados à Justiça no processo envolvendo o revelam que a instituição financeira transferiu ao menos R$ 3,6 bilhões em s de dívidas para fundos de investimento administrados ou vinculados à gestora Reag, empresa que está sob investigação da Polícia Federal (PF) por suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e movimentações relacionadas ao setor de combustíveis e ao crime organizado.
As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles e têm como base uma lista de 112 operações de cessão de apresentada pelo liquidante do Banco Master à Justiça. O material integra o processo no qual Henrique Vorcaro, pai do empresário Daniel Vorcaro, busca reverter a decisão judicial que determinou o bloqueio de seus bens.
Segundo as investigações, as operações analisadas fazem parte de uma estrutura financeira que, na avaliação das autoridades, teria sido utilizada para ampliar a capacidade de captação de recursos do banco e redistribuir riscos para fundos de investimento.
PF investiga atuação da Reag
A Polícia Federal apura o papel desempenhado pela na estruturação e administração de fundos de investimento suspeitos de movimentar recursos de forma considerada atípica e de manipular informações financeiras para inflar artificialmente balanços patrimoniais.
Entre os investigados está João Carlos Mansur, fundador da gestora.
Conforme a linha de investigação da PF, a Reag teria participado da administração de veículos financeiros utilizados em operações que agora são analisadas pelas autoridades por possíveis irregularidades.
Até o momento, as investigações seguem em andamento e caberá à Justiça analisar as conclusões dos órgãos responsáveis.
Como funcionava o modelo investigado
De acordo com a apuração da Polícia Federal, o mecanismo investigado teria como objetivo liberar espaço no balanço do Banco Master para permitir novas emissões de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e ampliar a capacidade de captação de recursos junto ao mercado.
Segundo a investigação, o banco captava recursos por meio da emissão de CDBs e concedia empréstimos a empresas parceiras.
Essas empresas, por sua vez, direcionavam parte dos recursos recebidos para fundos de investimento, que utilizavam esse capital para adquirir as próprias carteiras de originadas pelo Banco Master.
Na avaliação dos investigadores, quando esses empréstimos deixavam de ser pagos, o prejuízo era transferido aos fundos que haviam adquirido os s, reduzindo a exposição direta da instituição financeira.
A Polícia Federal trabalha para esclarecer se esse modelo foi utilizado de maneira sistemática e se houve irregularidades na estruturação dessas operações.
R$ 3,6 bilhões foram distribuídos entre 11 fundos
A documentação analisada reúne operações realizadas entre 2021 e 2025.
Segundo o levantamento, os R$ 3,6 bilhões em s foram distribuídos entre 11 fundos de investimento diferentes ligados ou administrados pela Reag.
Os documentos apontam ainda que, em diversas operações, o contrato de empréstimo firmado pelo Banco Master e a cessão desse mesmo ao fundo de investimento ocorreram na mesma data.
Esse sincronismo entre as operações é um dos elementos analisados pelos investigadores durante a apuração.
Caso envolvendo empresas do grupo Gafisa
Entre os exemplos citados na documentação está um conjunto de seis operações de que totalizaram R$ 130 milhões concedidos a empresas do .
Segundo os documentos, no mesmo dia em que os contratos foram formalizados, os s foram transferidos ao Yvrac Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, fundo que conta com participação do próprio Banco Master.
As operações ocorreram entre 2022 e setembro do ano passado.
Em relatório trimestral recente, a Reag afirmou que “os lastros apresentados estão em conformidade com a característica do fundo (Direitos Creditórios) e correspondem aos ativos refletidos na carteira”.
Operação também cita fundo investigado na Carbono Oculto
Além das operações envolvendo fundos administrados pela Reag, os documentos analisados apontam o repasse de outros R$ 357 milhões em s do Banco Master para o fundo Astralo 95.
O fundo figura entre os alvos da Operação Carbono Oculto, investigação conduzida pela Polícia Federal para apurar um suposto esquema de fraudes financeiras, lavagem de capitais e ocultação de patrimônio ligado ao comércio de combustíveis e com suspeitas de conexões com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a investigação, o Astralo 95 integra um conjunto de fundos apelidado pelos investigadores de “estrutura Frozen”.
O grupo reúne veículos financeiros com nomes inspirados em personagens da animação da Disney, como Olaf, Hans, Sven e Anna.
As operações envolvendo o Astralo 95 abrangem oito pessoas físicas e jurídicas e foram realizadas entre 2022 e 2024.
Liquidante tenta evitar esvaziamento patrimonial
O fundo Astralo 95 também é alvo de medidas judiciais propostas pelo liquidante do Banco Master, que busca impedir o esvaziamento patrimonial da instituição financeira.
Entre as operações questionadas está uma transação considerada atípica pelos responsáveis pela liquidação do banco.
Segundo os documentos apresentados à Justiça, o fundo Anna adquiriu cotas do fundo RSG pertencentes ao Astralo 95 por R$ 900 milhões e, menos de 24 horas depois, revendeu os mesmos ativos por R$ 1,1 bilhão ao fundo Máxima 2, veículo controlado pelo próprio Banco Master.
A operação teria gerado um lucro de aproximadamente R$ 200 milhões em apenas um dia, circunstância que passou a ser examinada no âmbito das investigações e das ações judiciais relacionadas ao caso.