Gianni Infantino admitiu que a Fifa pode analisar uma Copa do Mundo com 64 seleções, poucos dias após o fim da primeira edição com 48 equipes. A hipótese reabriu a discussão sobre o tamanho do principal torneio de futebol e sobre o impacto econômico que uma nova expansão teria para federações, confederações e ligas nacionais.
O presidente da Fifa tratou da ideia em entrevista à televisão suíça durante a competição. “Aque, ao organizar uma Copa do Mundo, é importante fazê-lo para o mundo todo —não apenas para a Europa e a América do Sul”, disse Infantino. “Se não dermos aos países menores a chance de participar da Copa do Mundo, eles não terão incentivo para continuar evoluindo.”
Formato maior elevaria jogos, sedes e pressão logística
A Copa de 2026, disputada no Canadá, no México e nos Estados Unidos, marcou o fim do formato de 32 seleções usado desde 1998. Com 48 países, o torneio passou a ter 104 partidas ao longo de mais de cinco semanas.
Se a Fifa mantiver grupos de quatro equipes e uma fase eliminatória com 32 classificados, uma Copa com 64 seleções teria 128 jogos. O número representa 24 partidas a mais do que em 2026 e o dobro do modelo antigo, o que poderia acrescentar cerca de uma semana ao calendário caso a entidade não comprima a tabela nem aumente jogos simultâneos.
O desafio cresceria nas próximas sedes. Espanha, Portugal e Marrocos devem receber a maior parte da Copa de 2030, enquanto Uruguai, Argentina e Paraguai ficarão com uma partida de abertura cada um para marcar o centenário do torneio. Em 2034, a Arábia Saudita sediará sozinha a competição e já lida com questões de calendário porque o Ramadã deve começar em meados de novembro, dificultando a repetição da janela de novembro e dezembro usada no Qatar em 2022.
Uma ampliação também mudaria a economia das eliminatórias. Ao facilitar a classificação de grandes seleções, um torneio com 64 equipes poderia reduzir o valor comercial das campanhas classificatórias regionais e ampliar a dependência das seis confederações em relação aos repasses da Fifa, concentrando mais influência financeira na entidade que organiza a Copa.
A Uefa rejeita a proposta. “Não acho que seja uma boa ideia para a Copa do Mundo em si, nem para as nossas eliminatórias. Portanto, não apoio essa ideia”, disse o presidente da entidade europeia, Aleksander Ceferin, no ano passado. O presidente da Confederação Asiática de Futebol, Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, também se posicionou contra e questionou até onde uma nova expansão poderia chegar.
O calendário internacional já pressiona clubes e ligas. A J-League, do Japão, vai adotar uma temporada de agosto a maio, e a MLS, dos Estados Unidos, planeja mudança semelhante a partir do próximo ano; uma futura Copa de inverno passaria a interromper mais competições fora da Europa. A Federação Francesa de Futebol estimou gasto de 24,5 milhões de euros, cerca de R$ 142 milhões, na Copa deste ano, e seu presidente, Philippe Diallo, afirmou no Congresso da Fifa em Vancouver que a entidade deveria ampliar o apoio financeiro às seleções participantes.