A final da Copa do Mundo de 2026 não foi apenas um dos maiores eventos esportivos do planeta. Ela também impulsionou um mercado bilionário de apostas em plataformas de previsão, segundo reportagem publicada pelo New York Times.
De acordo com o jornal, os chamados mercados de previsão movimentaram cerca de US$ 50 bilhões em apostas durante junho de 2026, mês em que a maior parte do Mundial foi disputada. No mesmo período do ano anterior, o volume havia sido de aproximadamente US$ 2 bilhões, evidenciando um crescimento explosivo.
O principal destaque da reportagem é a ascensão de empresas como Kalshi e Polymarket, que permitem aos usuários apostar não apenas em resultados esportivos, mas também em eleições, indicadores econômicos e outros acontecimentos futuros.
Copa impulsionou explosão das apostas
Segundo o New York Times, quase 270 mil pessoas baixaram o aplicativo da Kalshi apenas na semana em que a Copa do Mundo começou. Dois fins de semana antes do torneio, o número de downloads havia sido de cerca de 60 mil.
O jornal cita o exemplo de Isaac Arizmendi, integrante da torcida mexicana que viajou para acompanhar os jogos nos Estados Unidos. Morador de Los Angeles e profissional de marketing digital, ele contou que passou a apostar diariamente nos resultados das partidas.
“Você tem um propósito ao assistir ao jogo. Você se conecta com as pessoas no bar dizendo: ‘Ah, você apostou dinheiro nesse jogo também?’”, afirmou.
Publicidade tomou conta das cidades-sede
A reportagem destaca que Kalshi e Polymarket investiram pesadamente em publicidade durante toda a Copa.
A Polymarket contratou o produtor musical Rick Rubin e o rapper Future para promover sua marca em um comercial exibido durante o torneio.
Já a Kalshi fechou uma parceria oficial com a FIFA, tornando-se patrocinadora global do mercado de previsões da entidade. O logotipo da empresa apareceu em painéis digitais dos estádios e em diversos intervalos comerciais.
Uma das imagens que ilustra a reportagem mostra um enorme painel da Kalshi na Times Square com Lionel Messi, Nicolás Otamendi e Rodrigo De Paul vestindo a camisa da Argentina e o slogan “History, again?” (“História, de novo?”), em referência à tentativa argentina de conquistar mais um título mundial.
Crescimento também gera controvérsia
O avanço desse mercado também desperta preocupações regulatórias.
Segundo o New York Times, mais de uma dúzia de estados americanos abriu ações judiciais contra Kalshi e Polymarket, alegando que as empresas estariam oferecendo apostas esportivas sem licença.
Em Michigan, por exemplo, a procuradora-geral Dana Nessel conseguiu uma ordem temporária suspendendo as operações da Kalshi no estado.
A empresa nega irregularidades e afirma que seus mercados são regulamentados em âmbito federal.
Um novo modelo de apostas
Empresas como FanDuel e DraftKings, gigantes das apostas esportivas nos Estados Unidos, já passaram a oferecer mercados semelhantes. O mesmo movimento ocorre entre empresas do setor de criptomoedas, como a Gemini, e até entre grupos de mídia ligados ao presidente Donald Trump, que anunciaram planos para entrar nesse segmento.
Especialistas ouvidos pelo jornal avaliam que a Copa do Mundo de 2026 acelerou a popularização desse modelo de apostas e ajudou a transformar os mercados de previsão em um dos negócios mais promissores da indústria esportiva e financeira.