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Pedidos para bloquear CPF nas bets disparam 588% durante a Copa

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Pedidos para bloquear CPF nas bets disparam 588% durante a Copa

Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda apontam que o número médio diário de pedidos de autoexclusão de plataformas de apostas online, as bets, cresceu 588% nas duas primeiras semanas analisadas da Copa do Mundo. O avanço ocorreu na primeira edição do torneio com o mercado de apostas regulamentado no Brasil.

Entre 15 e 28 de junho, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão recebeu 250.129 pedidos de bloqueio ou prorrogação de bloqueios feitos por usuários. A média foi de 17.866 solicitações por dia; entre 11 e 25 de maio, antes do torneio, a ferramenta havia registrado 38.907 pedidos, média diária de 2.594.

Após o processamento, o bloqueio impede que o usuário use o CPF para apostar em bets autorizadas pelo governo federal. A Copa começou em 11 de junho, mas os dados fornecidos pela secretaria cobrem apenas o intervalo entre 15 e 28 de junho; os números completos do torneio e os novos cadastros de apostadores ainda estão em contabilização.

A Secretaria de Prêmios e Apostas atribuiu a alta a uma combinação de maior exposição do público às apostas durante a competição, divulgação da ferramenta e conscientização sobre riscos financeiros e emocionais do jogo.

“A combinação entre informação, conscientização e maior divulgação da ferramenta tem contribuído para ampliar o alcance do instrumento e fortalecer a proteção dos cidadãos”, afirmou a pasta.

Motivos para o bloqueio mudaram durante o torneio

Antes da Copa, a perda de controle sobre o jogo liderava os motivos informados pelos usuários, com 43,56% dos pedidos, seguida por dificuldades financeiras, com 14,07%. Durante o torneio, a prevenção contra uso irregular de dados pessoais passou ao primeiro lugar, com 29,5%, enquanto a perda de controle caiu para 24,13%; os bloqueios por tempo indeterminado subiram de 62,13% para 63,53%.

Entidades que acompanham os impactos das apostas avaliam que o salto não envolve apenas pessoas já em quadro de compulsão. Lucas Louback, gestor de incidência política e campanhas da ONG Bonde e coordenador da campanha “Brasil contra Bets”, disse que a publicidade no futebol ajudou a ampliar o risco.

“Os dados são alarmantes e mostram o quanto a compulsão por bets tem se espalhado na vida de milhões de brasileiros”, afirmou.

Um engenheiro identificado como Bruno, que pediu para preservar o nome verdadeiro, relatou que pediu autoexclusão há cerca de dois meses e evitou reuniões familiares durante a Copa.

Ele disse que perdeu R$ 122 mil em apostas no futebol, esporte que era seu preferido. “Hoje eu nem gosto mais de futebol”, disse. “Nunca mais fui no estádio. Não visto uma camisa que tenha o nome de nenhum tipo de bet, e isso eu vou levar para minha vida.”

O porta-voz dos Jogadores Anônimos, identificado como L.C.S., afirmou que parte dos pedidos veio de pessoas com receio de repetir prejuízos de copas anteriores. “Foi o medo de quebrar. Teve muita pessoa que, antes de chegar no meio da Copa, já tentou se precaver e ficar fora do jogo”, disse. O Ministério da Fazenda estima que o Brasil tenha ao menos 25 milhões de apostadores cadastrados e receita bruta de R$ 37 bilhões nas bets legalizadas em 2025.

O governo federal anunciou novas regras para publicidade das bets, com obrigação de alertas de que apostar faz perder dinheiro, pode causar dependência e não é investimento, além de veto a anúncios baseados na suposta expertise de comentaristas, especialistas ou influenciadores.

A ANJL afirmou que os dados devem considerar também o uso da plataforma por pessoas que não apostam e a presença de sites ilegais; o IBJR avaliou que o aumento é positivo porque mostra o uso da ferramenta e disse que esses mecanismos existem apenas nas plataformas autorizadas pelo governo federal.

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