O presidente Lula não participará das cerimônias de posse de Keiko Fujimori, eleita no Peru, e Abelardo de la Espriella, eleito na Colômbia, em um momento de avanço de governos de direita na América do Sul.
Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que Lula não tem viagens internacionais previstas no momento. A poucos meses da eleição presidencial, o governo pretende concentrar a agenda do presidente no Brasil.
A Assembleia-Geral das Nações Unidas, marcada para setembro em Nova York, deve ser o próximo compromisso internacional de Lula. O evento costuma reunir chefes de Estado e de governo e tradicionalmente tem discurso de abertura do Brasil.
O Itamaraty informou que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representará o governo brasileiro na posse de Keiko, prevista para a próxima terça-feira (28), em Lima. A pasta ainda não definiu quem enviará à cerimônia colombiana, marcada para 7 de agosto.
Na Colômbia, Espriella quer realizar a posse em um complexo militar. O atual presidente, Gustavo Petro, diz que não permitirá a mudança, porque a legislação do país estabelece que a cerimônia ocorra no Congresso, em Bogotá.
A troca de poder colombiana também ocorre sob tensão após Espriella anunciar a suspensão do processo de transição em resposta à recusa de Petro em aceitar o resultado da eleição. O candidato de direita derrotou Iván Cepeda, apoiado por Petro, por margem mínima; o presidente colombiano fez acusações de fraude sem apresentar provas.
No Peru, Keiko venceu o deputado de esquerda Roberto Sánchez por diferença de 0,27 ponto percentual. Sánchez também questionou o processo eleitoral, enquanto Lula parabenizou a peruana e Espriella após os anúncios oficiais dos resultados.
Ao cumprimentar o presidente eleito colombiano, Lula afirmou que a relação entre Brasil e Colômbia “transcende ideologias” e citou a preservação da Amazônia e o combate ao crime organizado como desafios comuns aos dois países.