O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro anunciou na segunda-feira (20) que recebeu o green card do governo de Donald Trump, documento que lhe concede residência permanente nos Estados Unidos. No entanto, a rapidez na concessão, em comparação com processos migratórios que costumam levar meses ou anos, chamou atenção e levantou suspeitas sobre a legalidade do documento.
Usuários das redes sociais, incluindo o jornalista Fernando Boscardin, que também possui green card, questionaram a ausência de informações comuns no documento, como o país de origem de Eduardo. Seria o terceiro filho de Bolsonaro um apátrida?
“Todo Green Card tem, entre o número de USCIS e a data de nascimento, um item que informa o seu país de nascimento (Country of Birth). Por que o de Eduardo que foi vazado por ele mesmo, não aparece BRAZIL?”, escreveu Boscardin no X.
Todo Green Card tem, entre o número de USCiS e a data de nascimento, um item que informa o seu país de nascimento (Country of Bird). Por que o de Eduardo que foi vazado por ele mesmo, não aparece BRAZIL, como naquele que eu tinha, na foto ao lado? Estranho… pic.twitter.com/lulGWnJuuJ
— ⚖️WE THE PEOPLE 🙌 .•. (@Boscardin) July 21, 2026
A colunista Eliane Catanhêde, do Estadão, também questionou qual seria a pátria do filho “zero três” de Jair Bolsonaro. “Ele alega ser ‘exilado político’, mas foi condenado após denúncia da PGR por coação, ou seja, por ter usado seu acesso a Trump e ao governo americano para pressionar o Supremo e o governo do Brasil e tentar encerrar o processo contra seu pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe”, comentou.
O green card permite que Eduardo viva no país por tempo indeterminado e dispense autorizações especiais para trabalhar ou estudar. A categoria migratória usada não foi divulgada.
Qual a pátria de Eduardo Bolsonaro? https://t.co/LWSF8P4Y2J
— Eliane Cantanhêde (@ECantanhede) July 21, 2026
Especialistas em imigração ouvidos pelo Globo afirmam que o tempo de processamento varia conforme o tipo de pedido, o país de origem e a disponibilidade de vistos. O USCIS, órgão de imigração dos EUA, informa que alguns processos podem terminar em cerca de um ano, enquanto outros ultrapassam cinco ou dez anos.
O aliado da família Paulo Figueiredo disse que o pedido de Eduardo ocorreu há mais de um ano e que o visto saiu neste mês após ele comprovar requisitos exigidos. Eduardo está nos EUA desde fevereiro do ano passado, entrou com visto de turista e alegava sofrer supostas perseguições do Judiciário brasileiro.
O STF condenou Eduardo Bolsonaro no mês passado a 4 anos e 2 meses de reclusão pelo crime de coação no curso do processo, por atuação para pressionar o julgamento da ação penal contra seu pai.
A extradição já era considerada remota, e o green card torna esse cenário ainda mais distante. Figueiredo afirmou que Eduardo “agora está protegido pela Constituição americana”. O documento dá ao residente permanente direitos próximos aos de um cidadão, mas não permite votar.