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Em grupo com membros do PCC, “Aniversário general”: o coronel da PM de São Paulo

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Em grupo com membros do PCC, “Aniversário general”: o coronel da PM de São Paulo

O coronel da Polícia Militar de São Paulo Luiz Carlos Pereira Martins integrava um grupo de WhatsApp chamado “aniversário general” com Cléber Azevedo dos Santos, preso em uma operação do Ministério Público de São Paulo contra uma rede apontada como operadora do sistema financeiro do PCC.

O grupo, ativo ao menos até 21 de novembro de 2023, também reunia Robson Martins Souza. Para os promotores, as mensagens tinham “caráter pessoal e social, com referências a eventos e celebrações”, mas indicavam uma relação de proximidade entre os participantes que não se limitava a contatos ocasionais.

A operação, deflagrada nesta terça-feira (21), prendeu 13 pessoas. Onze alvos foram detidos durante a ação, enquanto dois investigados que já cumprem pena em presídios, identificados como Moja e Buiu, receberam novas ordens de prisão. Outros cinco não foram localizados e são considerados foragidos, entre eles o doleiro Leonardo Meirelles.

Entre as provas reunidas, há um áudio atribuído a Cléber, registrado em 23 de julho de 2025, no qual ele pede R$ 100 mil em espécie a um homem identificado como Bruno. “Deixa eu te falar. Aquele meu cliente lá, o Caio, ele precisa de R$ 100 mil aí pra trocar. Quer mandar TED e pegar em (dinheiro) vivo, porque ele precisar pagar os ‘polícia’ do DEIC, porque ele teve um problema. Tem R$ 100 mil pra ajudar ele aí?”, diz a gravação.

Áudios e planilhas citam pagamentos a policiais

Em outra conversa, Robson Martins Souza pediu a Odair Alves da Silveira Filho o repasse de R$ 30 mil para que um cliente pudesse “pagar os amigos”. O Ministério Público afirma que a expressão era usada para se referir ao pagamento de propina a agentes públicos. Cléber também questionou Amjad Ahmad sobre saldos disponíveis para “pagar a polícia”.

A investigação localizou uma anotação de pagamento em dinheiro de R$ 1 mil em favor de um coronel identificado como “Patrício”, valor que teria origem em uma prática ilícita chamada “ticketagem”. O nome de Patrício também aparece em planilhas apreendidas como “cliente”; policiais civis e militares citados nos documentos não são alvos da operação, nem foram denunciados ou acusados formalmente no caso.

O MP afirma ainda ter identificado registros de que Luiz Carlos Pereira Martins se dispôs a ajudar investigados e a intermediar contatos com outras autoridades. Entre os nomes mencionados nas conversas estão o coronel José Augusto Coutinho, então comandante da Rota, e o coronel identificado como “Patrício”. A Justiça autorizou a extração de dados e a apreensão de CPUs usadas por policiais civis em suas unidades, além de buscas em viaturas.

Disputa por casa na Riviera levou a novas provas

Uma disputa ligada à negociação de uma casa na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista, levou os investigadores a novas mensagens. Celulares apreendidos indicam que envolvidos recorreram ao PCC para resolver uma dívida de cerca de R$ 2 milhões, em um procedimento descrito na decisão judicial como “mecanismo paralelo de resolução de conflitos”.

Marcelo de Morais Oliveira também está entre os presos. Ele aparece nas tratativas sobre a divergência pelo pagamento do imóvel e sobre o chamado “tribunal do crime”. Em uma mensagem, Cléber afirma que Marcelo é “companheiro do PCC”, assim como ele, e agradece aos “irmão” pela atenção dada ao caso.

O Ministério Público aponta que operadores do esquema recebiam dinheiro em espécie de clientes ligados ao PCC e a outras atividades criminosas, inseriam os valores no sistema bancário por meio de empresas e instituições financeiras digitais e faziam transferências para ocultar a origem dos recursos. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas, aplicações, imóveis e veículos, além do sequestro de bens de 19 suspeitos e quatro empresas.

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